Apetebi : mulheres na Santeria

Apetebi, mulheres na Santeria

Mulheres na Santeria

Vamos começar este artigo reconhecendo os nossos Apetebis e os nossos Ihanifahs, bem como todas as mulheres do mundo. O que seria de nós sem as suas bênçãos, e o nosso mais profundo respeito e admiração por todas as mulheres. Este assunto tem criado muito descontentamento e confusões entre os iniciados das nossas tradições.

Começaremos por explicar que uma mulher se torna um Apetebi de Orúnmìlà quando recebe o seu Ekofá, esta cerimónia de Ifá tem a duração de três dias e nasce no odun Odí Méjì, onde se afirma que a primeira mulher a ser consagrada em Ekofá foi Osun.

Dentro da religião tanto as mulheres como os homens desempenham um papel muito importante, mas as funções de cada um estão bem definidas. É importante salientar que as mulheres desempenham um papel significativo na música. As mulheres são as protagonistas de muitos dos repertórios Yorubás. Estes grupos de mulheres são frequentemente acompanhados pelos instrumentistas que partilham tanto o canto como a música. Por vezes são apenas as mulheres que realizam estes rituais.

O Apetebi desempenha um papel ativo na organização de muitos rituais Yorubás. Mas quando se trata da interpretação de Ifá desempenham um papel passivo, no entanto, em Ocha podem fazer livremente e sem restrições. Também sabemos que em Ifá não estão proibidos de consultar o oráculo através de um sacerdote de Ifá ou Babaláwos. Também desejo informar as mulheres que desejam frequentar as religiões africanas, que muitas das tarefas estão vedadas pela cultura machista do homem, algo condenado pelos Orichas e divindades yorubás.

Em Ifá a mulher tem de ser dada permissão ou que seja destinada a ser Apetebi, numa cerimónia que é realizada, se for revelado pelo odù de Ifá, então ela deve casar com um Babalawo. Dizem os sacerdotes de Ifá, que isto tem de ser feito para que ela tenha uma vida confortável, sem problemas e longa, assim como muitos filhos. Caso contrário, os problemas continuarão por resolver. Tudo isto tem a ver com o destino de cada pessoa no céu. Todos sabemos hoje que muitos fundamentos religiosos foram criados pelos homens, e assim foram facilmente manipuláveis em cada religião, e ainda hoje existe muita deturpação da palavra de Ifá ou dos Orichas.

Para não me alongar nas críticas a uma religião que precisa de mudar muitos fundamentos, como adaptar-se a uma igualdade entre homem e mulher, deixo as múltiplas funções que uma mulher tem na religião:

  1. Ela é responsável juntamente com os Awo pela limpeza dos Orichas, uma vez que esta tarefa é entre os dois para unir os fatores homem-mulher.
  2. Ela é responsável pela recolha dos animais e pela sua colocação na esteira.
  3. Ela é responsável pela iniciação dos Orichas dos afilhados do seu marido, o Awo.
  4. Ela é a secretária absoluta do Babálawo ou do Oloricha.
  5. Ela oferece o omi tutu juntamente com o seu Babálawo, na ausência de outro Awoses.
  6. É ela que trata pessoalmente dos adimus, da limpeza do espaço, etc.
  7. Ela irá desfrutar de todos os benefícios do Babálawo, na ausência deste na cerimónia, mas somente com a autorização prévia.

Como percebemos a religião animista africana, é muito parecida a religião católica apostólica romana, que restringe à mulher somente as funções de apoio, preparação de comida e limpeza do espaço. Concordo com o pensamento da altura da criação destes fundamentos, pois a sociedade na altura, era definida por esses conceitos religiosos. No entanto, muitos séculos passaram e as inverdades desses fundamentos caíram em desuso, e agora está na hora de aceitar a igualdade de deveres e obrigações religiosas. Estejam atentas mulheres, que os Orichas, Ifá e Orunla são justos e misericordiosos, no entanto, os religiosos são conservadores, egocêntricos e manipuladores. Esta bela religião carece de humilde e conforto entre homem e mulher, no ambiente de paz e harmonia na terra. Essa é a maior dádiva deixada pelas divindades, o AMOR.

Saudações irmãos

Okanbi

Morada

Rua do Xisto, n.º 150 . 4475-509 Maia . Portugal
Tel: 965 763 788
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Horário: De 2.º a Sábado das 10:00h às 19:30h

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