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Origens do Tarot

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Escrito por Anastácia

as origens do tarot
 
Para uns, simplesmente um jogo de adivinhação e para outros um instrumento para o autoconhecimento. Com certeza, o Tarot tem adeptos e inimigos, crentes e céticos. No entanto, a visão estereotipada do conjunto de cartas mais antigas que se conhecem, como "coisa de cartomante" ou mesmo como simples meio místico de previsão de futuro, há muito tempo perdeu o seu valor, principalmente após os estudos do psiquiatra suíço Carl G. Jung.
 
Atualmente considera-se o Tarot como um conjunto de cartas repletas de símbolos e arquétipos, ligado principalmente ao nosso inconsciente. As origens do Tarot (Tarô) são desconhecidas, e há inúmeras teorias sobre isso. A origem exata das cartas do Tarot é obscura e se perde nas névoas do tempo. O Tarot, como cartas de jogar, podem ter tido os seus primeiros dias numa época tão remota quanto a do Antigo Egipto. Também se diz que podem ter tido a sua origem na Índia ou China, atingindo a Itália a partir destes países. Poderão terem sido introduzidas no Ocidente pelos cruzados ou pelos árabes, ou mesmo espalhado pela Europa através do povo cigano. 

Porém o que sabemos é que o seu real valor está no simbolismo de cada carta. Na verdade, nenhuma delas comprova ao certo de onde ele veio. Sabe-se que essas cartas eram populares na Europa do Renascimento, como cartas de jogar ou de adivinhação, mas não se sabe como foram parar lá. Até hoje existem associações de jogadores que usam as cartas em jogos de azar, como usamos aqui o baralho normal. A palavra Tarot é extraída das palavras egípcias: TAR, que significa "Caminho" e RO, ROS e ROG, que significam juntas "Caminho Real da Vida".

A palavra Arcanos é plural da palavra que vem do latim Arkanum, que significa segredo. Assim Arcanum é um mistério cujo conhecimento é indispensável para se compreender um grupo determinado de factos, leis ou princípios. O Tarot é formado por 78 cartas, divididas em 22 Arcanos Maiores, que incluem as cartas da Temperança, Roda da Fortuna, do Mago, da Estrela, por exemplo, e 56 Arcanos Menores formados pelos quatro naipes - Copas, Ouros, Espadas e Paus. É dos Arcanos Menores que se originou o nosso baralho comum, com os seus naipes, Rainhas (Damas), Reis e Valetes. Dos Arcanos Maiores, o baralho moderno só herdou, curiosamente, a carta do Louco, chamada agora de Joker. 

Existem muitos Tarot`s antigos, como o Visconti-Sforza, do século XV, exposto na Biblioteca Pierpont Morgan de Nova Iorque; mas entre eles, o mais utilizado é o Tarot de Marselha, com figuras medievais. É ele a referência de todos os tarots que conhecemos hoje. A representação das cartas é puramente imaginara e pictórica - múltiplas cores, formas geométricas, figuras da natureza, personagens, objetos e animais. E, apesar dos muitos livros, artigos e textos explicativos sobre os significados do Tarot - reflexos da sociedade em que a comunicação verbal predomina -, as cartas ainda são e sempre serão símbolos a serem decifrados.

O Tarot mais antigo que se conhece é o que se encontra no Cabinet de Estampes na Biblioteca Nacional de Paris. Segundo alguns poetas e escritores, este destinava-se à distração do melancólico Carlos VI de França. Pensa-se que tenha sido encomendado a Jacques Gringonneur que era astrólogo e cabalista. Durante muito tempo pensava-se que pertenciam a este baralho dezassete cartas pintadas sobre velino debruadas a ouro e pintadas a prata, lápis – lazúli e com um pigmento vermelho escuro denominado como (pó de múmia). Atualmente, acredita-se que são italianas e de manufatura mais tardia. Um dos mais belos jogos de cartas pertenceu a Duce Filippo Maria Viscont e data de 1392, pelo qual pagou mil e quinhentos florins de ouro ao seu secretário, o sábio e pintor Marziano da Tortona. Existem ainda hoje sessenta e sete cartas originais deste jogo muito antigo.

Com o passar do tempo, a apresentação dos emblemas e dos desenhos das cartas alterou-se. Desde que se começou a jogar, o baralho foi composto por vinte e duas cartas, e quatro séries de cores, cada uma delas contendo catorze cartas. O Tarot de Marselha surgiu nos finais do século XV e XVI, alcançando imediatamente um grande destaque entre os sumptuosos jogos, principalmente os que eram pintados à mão por grandes artistas, que geralmente os dedicavam ás famílias mais ilustres como os VISCONTI e SFORZA. O Tarot de Marselha teve uma grande influência sobre muitos jogos que surgiram nos finais do séc. XVIII e início do séc. XIX, época especialmente apaixonada pelo oculto na qual se deu um grande incremento do TAROT. Adquiriu uma forma mais manuseável e mais sólida quando B.P. GRIMAUD lhe fez algumas alterações, sem alterar as suas qualidades intrínsecas. Os cantos tornaram-se mais redondos e as cores mais vivas passando a haver um claro predomínio do AZUL e do VERMELHO. 

Paul MARTEAU, o grande mestre das cartas em França, traduziu em 1930, com grande rigor, toda a simbologia do TAROT de MARSELHA e fixou as tonalidades definitivas das cores que permanecem até hoje. Se a origem do TAROT continua a ser um mistério, então o seu extraordinário poder de adivinhação psicológico e espiritual continuam a ser marcas importantes no Tarot. A sua influência vibratória é comparável a um tratado de psicologia com imagens. Surpreendentemente, permite comunicar, encontrar soluções e prevenir, aprender a aperfeiçoar o autoconhecimento e uma melhor compreensão dos outros. O TAROT não tem o poder de influenciar os acontecimentos, mas avisa-nos das influências que nos rodeiam para que, com conhecimento de causa e total “livre-arbítrio”, possamos decidir sobre o nosso futuro.

O TAROT não nos obriga a nada, indica-nos apenas caminhos que nós podemos seguir ou não, de acordo exclusivamente com a nossa própria vontade. Somos inteiramente responsáveis pelas nossas decisões, nunca devemos esquecer de que toda a ação leva a uma reação. As interpretações e combinações de cartas são infinitas, pois cada pessoa pode enxergar um só significado em determinado símbolo, ou mesmo ignorar outros e eleger uma só mensagem como a mais importante. Aleatoriamente, as revelações das cartas surgem diferentes a cada jogada - e é aí que reside a riqueza do Tarot. 

Não, que não haja atualmente uma certa convenção do que diz cada carta, mas mesmo assim, as imagens podem falar muito mais do que qualquer teoria, pois foram elas que resistiram ao tempo - e somente elas. Nesse sentido, uma consulta ao Tarot, voltada ao autoconhecimento, não mostra factos ou acontecimentos futuro, ela revela sim, aspetos de nossas vidas que precisam de atenção. Além disso, as cartas podem dizer mais sobre momentos que vivemos e de que, muitas vezes, não conseguimos ter uma dimensão ampla. Por isso, o conjunto das 78 cartas pode ser usado não só pelos "iniciados" ou "iluminados", mas por qualquer pessoa que se proponha a uma visita mais profunda dentro de si mesma. Hoje existe uma série de tarots, voltados a diferentes propósitos - modernos, antigos, xamânicas, mitológicos, egípcios. Todos seguem, de uma certa forma, a mesma base simbólica. Isso significa que a carta da Torre, por exemplo, na maior parte dos tarot`s aparecerá como uma torre fulminada, em queda, arruinada. Portanto, independente do Tarot a ser escolhido - e geralmente os gostos variam muito de pessoa para pessoa -, o importante é mergulhar na imagem e deixar que ela nos remeta a lembranças, imagens e correlações com aspetos de nossa vida para que procuramos resposta. No mercado, há interessantes estudos sobre o Tarot, analisando-o à luz de diversas linhas, de Ocultismo à Cabala, de Psicologia à Astrologia. Escolha a que mais se identifica e boa sorte! 

 

Atenciosamente

Sérgio Silveira

 

 

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