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Escrito por Okanbi / Omo Aggayú
Categoria:

O mundo dos Orichas

CONHEÇA E PERCEBA ESTA RELIGIÃO AFRICANA

Este blog foi criado com o objetivo de clarificar o que é a Santeria Cubana ao público Português. Muito se fala de Santeria, mas poucos realmente sabem do que se trata. Neste website mostro as diversas linhagens que existem nesta religião, sem, no entanto, em entrar em todos os pormenores. Como sabe, muita desta religião foi passada de pai para filho, sempre de forma oral, e desta forma perdeu-se muita informação durante os últimos séculos. Sendo assim os textos que aqui coloco serão somente do ponto de vista, e da minha ilé de Ocha (casa de santo) que pertenço. Sabemos nós que alguns estudiosos e Oriatés desejam sempre mostrar que são eles os sabedores desta religião, mas lembro sempre que nenhum Oloricha, Santero, Oriaté ou Babalawo possui a sabedoria total, e sendo assim não devemos falar em verdades “absolutas”.

Aqui neste espaço vamos debater temas e falar abertamente sobre o que é a Santeria, as suas crenças, os seus Orichas e a sua forma de pensar. Passa por desmistificar tabus e crenças que o público, em geral, têm sobre a esta religião Yorubá. Desta forma vamos esclarecer aos estudiosos e crentes que a Santeria não passa de uma evolução espiritual real e assente em princípios históricos, e com bases religiosas muito fortes, sobre a caminhada do ser humano na terra. Trata-se de sensibilizar o público, em geral, o que se sabe sobre esta religião. Quando falamos da Santaria, cremos saber do que se trata, se acreditamos em DEUS, e de que forma fazemos esta adoração. Também conhecida como “Regra de Ocha” e foi atribuída uma imagem quase sempre negativa, por parte de certas pessoas. Talvez, por pertencer a outras religiões ou grupos religiosos ou seitas, se sentiram com a autoridade moral de fazer certos comentários, afirmações, criticas e ataques com a maior maldade, sem saber absolutamente nada desta bela religião.

Acredito eu que esses crentes porque se sentem defraudados, enganados ou confundidos pela sua religião e, porque chegaram a conclusão de que aquela a qual eles dedicarão toda a sua vida, está cheia de erros e enganos e maldade. Por isso se quer aprender mais sobre esta bela religião, então lê os textos colocados aqui neste blogue, e desfruta do conhecimento adquirido durante muitos séculos por este povo.

 
 
Desde já o meu obrigado,
Okanbi / Omo Algallú.
 

ÚLTIMOS TEXTOS PUBLICADOS

Santos africanos

 

Pai de Santo na religião

Data: 16-07-2018

Escrito por: Omo Okanbi

Hoje em dia tenho vindo a constatar o crescimento de diversas religiões africanas, pelo mundo. Esta nova necessidade de adaptar uma “nova fé” ao cristianismo já não é recente. Desde os últimos milénios o ser humano tem a necessidade de misturar novas formas de fé. Eu mesmo tive a necessidade de procurar respostas, noutras religiões, de forma a obter conhecimento sobre o que desejava.

 

Data: 10-07-2018

Escrito por: Omo Okanbi

Tenho vindo a constatar nos últimos anos em Portugal, que muitas das casas de santos, tem uma forma errada de ensinar e divulgar a religião yorubá. Têm chegado relatos constantes de iniciados que foram “raspados” na Umbanda e Candomblé, e quando confrontados se sabem os oddus, ou se tem os seus orichas consigo, sou informado que não sabem e que os santos estão na casa do Padrinho. 

Iniciado na religião

 

Livro do Itá

Data: 25-06-2018

Escrito por: Omo Okanbi

Hoje vou falar das diversas práticas religiosas que passa um iniciado na religião yorubá, chamado de Iyawó. Na ilé de santo que fui iniciado, compreendi que os rituais têm como objetivo o despoletar e o desligar de hábitos, atitudes erradas por parte do iniciado. Todos os rituais são uma forma de limpar o mau ashé (energia) que retemos durante a nossa vida. 

 

 

 

Data: 20-06-2018

Escrito por: Omo Okanbi

Quando falo deste tema a muitos religiosos da religião yorubá, ainda verifico estranheza no assunto. Falar do livro do Itá, é claramente mostrar a evolução do religioso na religião, como ainda as obrigações, quais são os orichas da sua consagração, os padrinhos e madrinhas da sua coroação e os seus oddus que saíram na cerimónia.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Escrito por Okanbi / Omo Aggayú
Categoria:
Música dos Orichas

Orichas - Ikú Lobi Ocha

TAMBORES MÁGICOS

Os tambores são tão ancestrais quanto o próprio homem. Os primeiros foram criados e manuseados ainda na pré-história, com o objetivo de saudar os Deuses e como forma de agradecer a comida conseguida por meio da caça aos animais. Milénios se passaram e centenas de representações religiosas ou espirituais foram criadas de acordo com a cultura e a visão de cada povo, de cada etnia, principalmente de acordo com os padrões sócio económicos de cada época. Imagens, cerimónias, mitologia, liturgias, símbolos, tambores, chocalhos e atabaques, são expressões da arte na religiosidade e na espiritualidade. 

 

O homem pré-histórico acreditava que a pele da sua caça esticada em troncos de árvores reproduzia o choro do animal morto. Na sua fase mais primitiva, a manifestação religiosa do homem tinha como base principal o contacto com as divindades - o transe. A música e a dança sempre foram os principais geradores dessa comunicação com os Deuses. Alguns historiadores e antropólogos do século vinte destacaram a ideia de que a maneira utilizada para se chegar aos conhecimentos místicos em religiões primitivas, esteve sempre associada ao êxtase (o transe) provocado pelo toque do tambor.

Esse instrumento seria então o responsável pela comunicação entre o homem e as divindades, seres responsáveis pelo comando da natureza no nosso planeta. Mesmo nas religiões mais antigas, o toque dos tambores também foi utilizado não somente para o culto às divindades, mas também como forma de manter contacto com os espíritos dos mortos.

 

OS TAMBORES NA ÁFRICA 

Nas sociedades africanas, a tradição oral é o método pelo qual histórias e crenças religiosas são passadas de geração em geração, transmitindo elementos de uma cultura. Uma parte integrante da tradição oral africana é, sem dúvida, a dança e o canto, e o mais importante instrumento musical africano é o tambor, em diferentes tamanhos e formas e para diferentes fins. 

O tambor é utilizado para enviar e receber mensagens espirituais, e é essencial na preservação da tradição oral. Na religião africana de culto aos Orichas e ancestrais, é considerado sagrado, e o seu tocador é classificado como um comunicador oral. Aquele que toca o tambor é um orador e um comunicador de mensagens sagradas. No ritual religioso, os tambores são o início de tudo, sempre representaram papel muito importante na cultura africana. Existe um antigo provérbio que diz: ” Quando os tambores são tocados, eles não mentem “. 

O Djembe é possivelmente o mais influente, e a base de todos os outros tambores africanos, e remota há pelo menos 500 anos d.C. é um tambor sagrado utilizado em cerimónias de cura, rituais de passagem, culto aos ancestrais e ainda em danças e socialmente.

 

OS TAMBORES BATÁ 

A origem dos tambores Bata remonta há mais de 500 anos, e a sua história sobreviveu juntamente com o povo Yorubá, que chegou à América como escravo, mostrando a profundidade dessa religião e cultura, das quais é parte importante. O tambor Bata faz parte da prática religiosa chamada de “Santeria”, desenvolvida em Cuba e nos EUA, com influência principal da religião tradicional Yorubá, mas também de outros grupos étnicos, como os de língua Bantu, da região do Congo. 

Os tambores Bata podem falar, e não no sentido metafórico, podem realmente ser usados para recitar preces religiosas, poesias, saudações e louvores. Em Cuba, são utilizados em todas as cerimónias relacionadas aos Orichas, e recebem o nome de ‘"Bata de Fundamento". A sua fabricação e consagração requerem toda uma força espiritual, que é inserida dentro do seu cilindro de madeira. Ao ser consagrado, recebe o nome de "Ayàn". 

 

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Escrito por Okanbi / Omo Aggayú
Categoria:
O Português e as línguas Africanas

Orichas - Ikú Lobi Ocha

LÍNGUA AFRICANA

Devemos entender primeiramente que o estudo das línguas e dialetos africanos no Brasil, Venezuela, Cuba e Portugal sofreram grandes alterações desde a sua origem, já que com a aprendizagem do português por parte dos escravos, o seu dialeto foi perdendo-se. Bantu é um conjunto de mais de 400 idiomas pertencentes a família de línguas Niger-Congo. São falados idioma Bantu em todos os países da África ao sul do Saara. Estima-se que mais de 300 milhões de pessoas falem o idioma Bantu. A presença das línguas africanas no Brasil e Portugal está diretamente associada ao tráfico de escravos que, por mais de três séculos sucessivos, de 1502 a 1860, introduziu no país as mais diversas origens. Sudaneses da região situada ao norte do equador, Bantus ao sul do equador (Congo e de Angola), Sudaneses da costa ocidental (Costa da Mina e ciclo da baía do Benin) e escravos de todas as regiões, predominando os originários de Angola e Moçambique. Não se pode precisar o número das línguas que aqui chegaram, mas sabe-se que na área atingida pelo tráfico são faladas por volta de 200 a 300 línguas, uma pequena parcela do conjunto linguístico africano que conta com mais de 2.000 línguas. 
 
No século XX não se localiza nenhum registo sobre línguas africanas plenas em Portugal e no Brasil, visto que desde o final do século anterior elas passam a manifestar-se como línguas especiais, utilizadas como códigos por grupos específicos, seja como língua ritual nos cultos afros, seja como língua secreta, marca de identidade de descendentes de escravos, em comunidades negras, os Quilombos. Dominava-se nagô ou anago a um povo do reino de Queto, na África ocidental, numa região atualmente localizada no Benin, de onde vieram numerosos africanos escravos. A língua usada nos cultos afro-brasileiros considerados nagô não corresponde, a uma língua africana conservada na sua pureza, uma vez que as comunidades afro-brasileiras foram constituídas por povos de etnias, línguas e dialetos diversos como jeje, ijeja, mussaramin (malé), entre outros. Os cultos da Santeria (Cuba e Venezuela) ou Candomblé (Brasil) das diferentes nações (Nagô-quetu, Jeje, Angola) utilizam diversas línguas: iorubá. Nos cultos Umbanda na religião brasileira formada do encontro de cultos africanos e tradições indígenas com o espiritismo e o catolicismo, fala-se português brasileiro “popular”, com vocabulário particular, próprio das “entidades”. As línguas africanas, utilizadas hoje ritualmente, mantêm-se como veículo de expressão dos cânticos, saudações e nomes dos iniciados, principalmente, podendo também servir como meio de comunicação entre alguns adeptos da mesma comunidade de culto. 

 

LETRA A

Ààbò - metade

Ààfin - palácio, residência de um rei (Oba)

Àáké - machado

Ààrè - doença, fadiga, cansaço

Ààyè - vida

Aba - escada de mão

Abánigbèro - conselheiro, aquele que aconselha, um sábio mais velho

Abanijé - difamador

Abaya - rainha mãe

Abélà - vela

Abomalè - aquele que venera os ancestrais (egúngún)

Abòrisà - aquele que venera os orixás

Aboyún - mulher grávida

Abuku - desgraça

Adèbo - pessoa que prepara a comida com os animais oferecidos em sacrifício de acordo com as regras religiosas

A dúpé - agradecemos a você

Afará - oyin - favo de mel

Àfomó - doença infeciosa, trazida pelo Orixá das doenças infeciosas (Babaluaiyé; Xapanã)

Àgàn - mulher estéril

Agbádá - vestes sacerdotais

Àgbàdo - milho, sagrado para o Orixá Èsù (Bará)

Àgbaiyé - o mundo inteiro

Àgbon - coco

Àìsàn - doença

Áike - machado

Aláàfin - título tradicional para o rei de Oyó

Abadá - Blusão usado pelos homens africanos.

Abadô - Milho torrado

Abebé - Leque.

Abassa - Salão onde se realizam as cerimónias públicas ou terreiro.

Adé - Coroa.

Adie - Galinha.

Adupé = Dupé - Obrigado.

Afonja - É uma qualidade de Xangô.

Agbô - Carneiro.

Aguntam - Ovelha.

Ajeum - Comida.

Alabá - Título do sacerdote supremo no culto aos eguns.

Aledá - Porco.

Alaruê - Briga.

Alubaça - Cebola.

Axó - Roupa.

Axogum - Auxiliar do terreiro, geralmente importante na hierarquia da casa, encarregado de sacrificar os animais que fazem parte das oferendas aos orixás.

 

LETRA B

Báàlè - chefe de um povoado, com menos status que um Oba

Bàbà - milho da Guiné

Babagba - homem velho, geralmente o avô

Báde - caçar em grupo

Bájà - lutar, brigar

Balògun - chefe da sociedade dos guerreiros

Bàlagà - entrar na maturidade

Barapetu - grande, uma pessoa de distinção

Burú - ruim, negativo, destrutivo

Baba - Pai.

Babaojê - Sacerdote do culto dos eguns; Ojé é o nome de todos iniciados no culto aos eguns.

Babassá - Irmão gémeo.

Balê - Casa dos mortos.

Balé - Chefe de comunidade.

Beji - Orixá dos gémeos.

Biyi - Nasceu aqui, agora.

Bô - Adorar.

 

LETRA C

Conguém - Galinha da Angola. 

Cambaú - Cama.

Cafofo - Túmulo.

Caô - É um tipo de Shangó.

Catular - Cortar o cabelo com tesoura, preparando para o ritual de raspagem para iniciação no Candomblé.

Cutilagem - o corte que se faz na cabeça do iniciado; é realizado para abrir o canal energético principal que o ser humano tem no corpo, exatamente no topo da cabeça, (Ori), por onde vibra o axé dos Orixás para o interior de uma pessoa.

 

LETRA D

Dáàdáà - bom ou bonito

Dabòbò - proteger, fornecer proteção

Dàgbá - envelhecer, ficar velho

Dàgalágbà - tornar-se um homem adulto

Dalè - quebrar uma promessa

Dára - bom, ser bom

Dáradára - muito bom, tudo certo

Délade - coroar um rei

Dele - chegar em casa

Dídá - ara - boa saúde

Dígí - espelho

Dùbúlè - deitar

Dã - Orixá das correntes oriundas do Daomé.

Dara - Bom, agradável.

Dide - Levantar.

Dagô - Dê licença.

Dê - Chegar.

Dudu - Preto.

 

LETRA E

Éèdì - encanto, feitiço

Éègun - ossos, ossos humanos

Efi - fumar

Égbéé - amuleto de proteção para o Oricha (Ogun)

Egbò - chaga, ferida

Égún - espírito dos ancestrais

Eji - chuva

Ejò - cobra

Èké - pessoa mentirosa, falsa, fraudulenta

Ékú - rato

Elégbògi - curandeiro que usa ervas

Elésù - pessoa que adora o mensageiro Eschu

Elu - estranho

Enìní - inimigo

Enini - orvalho da manhã

Erinká - milho na espiga

Erú - carregamento, fardo

Erupe - sujo

Ewé - folha de planta

Ewu - perigo

Ewú - cabelo grisalho, sinal de dignidade

Ewure - cabra

Èdán àrá - pedra de raio, sagrada para o Orixá Sàngó

Edùn - machado

Efó - vegetais verdes

Èfóri - dor de cabeça

Ègbé - comunidade de pessoas com o mesmo propósito

Eiye - pássaro

Èmí - respiração, também se refere a alma humana

Enyin - você

Èrúbo - compromisso de fazer uma oferenda aos Orixás

Èwòn - corrente

Edu - Carvão.

Eiyele - Pombo.

Elebó - Aquele que está de obrigação.

Eledá - Orixá guia. 

Erú - Carrego; carga.

Equê - Mentira.

Esan - Vingança.

Emi - Vida

Enu - Boca

Eran - Carne

Ejó - Cobra.

Egun - Alma ou espírito.

Epô - Azeite 

Epô-pupa - Óleo de Palma ou azeite de dendê

Eró - Segredo

 

LETRA F

Faiya - encantar, seduzir

Fári - cortar o cabelo com lâmina

Fe - há muito tempo

Fèrè - flauta

Fé - amar

Féniyawo - casar

Fijúbà - respeitar

Fòiya - estar com medo, amedrontado

Fowólérán - agir com paciência

Funfun - branco

Fúnlèfólorun - dar liberdade, agir de maneira certa

Fúù - o som feito pelo vento

Fá - Raspar

Fadaka - Prata

Filá - Gorro

Funfun - Branco

Fenukó - Beijar

Ferese - janela

Fo - Lavar

Fún - Dar

Farí - Raspar cabeça.

 

LETRA G

Gáàri - refeição feita de farinha de mandioca

Gala - veado, alce

Géndé - homem forte

Gèlédé - sociedade dedicada a homenagear os ancestrais

Góòlù - ouro

Gòmbó - cicatriz; marca no rosto que indica linhagem

Gun - subir

Gùn - pessoa alta

Gunnugun - abutre, urubu

Gbabe - esquecer

Gbada - faca com lâmina grande

Gbàdúrà - rezar

Gbagbo - acreditar

Gbaguda - farinha de mandioca

Gbajumo - cavalheiro; homem gentil

Gbé - levantar

Gbédè - agir de maneira inteligente

Gbérè - cumprimentos

Gbese - dívida

Gbéyàwó - casar

Gbóju - bravo

Gbórín - grande

Gbúròó - ouvir

Ga - Alta, grande

Ge - Cortar

Gari - Farinha

Gururu - Pipoca

 

LETRA H

Hà - expressão de prazer

Halè - amedrontar, ameaçar, intimidar

He - pegar, apanhar

Hó - ferver

Hun - tecer, traçar

Hùwà - comportar-se

 

LETRA I

Ìbà - homenagem em respeito aos Orixás

Ìbamolè - forças espirituais que são merecedoras de respeito

Ibà pójúpójú - febre muito alta

Ibòòji - sombra

Ibúlè - àrun - leito de doença

Ibúlè - ikú - leito de morte

Ibùsùn òkú - cemitério

Ìdáwò - consulente de adivinhação

Ifáiyable - visão mística

Ìfeseji - perdão

Iga - quintal de um ancião

Ìgbà - história

Igbado - milho

Ìgbàlè - cemitério

Ìgbín - lesma, caracol

Igbó - floresta

Igbódù Òrìsà - local sagrado para iniciar uma pessoa nos mistérios dos Orixás

Ìgboro - rua, estrada

Igi - òpe - palmeira

Ihò - buraco

Ija - luta

Ikú - morte

Ikùn - estômago

Ilà - marcas faciais

Ìlù - tambor

Ìmale - respeito ao ancestral

Ìmáwò - ara - encarnação, estado de reencarnação

Ìmólè - forças da natureza (Orisha)

Imo - ope - folhas de palmeira

Ìpàdé - encontro

Ipin - guardião

Ìràwò - estrelas

Ìtefá - iniciado nos fundamentos de Ifá

Ito - urina

Ìyáláwo - divindade feminina, mãe dos mistérios

Ìyálè - esposa mais velha em uma família polígama

Imonamona - raio

Iná - fogo

Ìpelé - pequena cicatriz facial que indica a linhagem familiar

Ìpitan - tradição oral

Ìrawò - estrelas

Ìrésì - arroz

Ìrèmòjé - cânticos do funeral dos caçadores

Irin - ferro, sagrado para o Orixá Ògún

Irun - cabelo

Irúnmòle - forças da natureza (Oricha)

Ìsàlè - órgãos reprodutores

Ise - trabalho

Ìségún - reverência aos antepassados

Isinkú - funeral

Ìtan - história, lenda, mitologia

Ìtan - àtowodowo - lenda tradicional, história sobre os orixás

Ìwà - àgba - carácter de um ancião

Ìwà - édá - natureza

Iwóòrò - ouro

Ìyá - mãe

Ìyá - àgan - mulher mais velha, (anciã), dentro da sociedade dos médiuns ancestrais

Ìyáàgbà - avó

Ìyáláwo - divindade de ifá feminina, significa: " mãe dos mistérios ".

ÌYálorísà - mulher iniciada nos mistérios das forças da natureza (Orixa).

Ìyálè - esposa mais velha em uma família polígama. 

Iyekan - ancestrais do pai

Ia - Mãe

Ia ia - Avó

Ialorixá - Mãe de santo (sacerdote de orixá)

Iban - Queixo

Idí - Ânus, nádega

Ibô - Mato

Ibó - Lugar de adoração

Ilê - Casa

Ibá - Colar, cheio de objetos ritualistas

Inã - Fogo

Ijexá - Nome de uma região da Nigéria e de um toque para os Orixás Ochún, Ogun e Oxalá.

Ipadê - Reunião

Ida - Espada

Ida-oba - Espada do Rei

Ideruba - Fantasma

Idodo - Umbigo

Ifun - Intestino

Idunnu - Felicidade

Igi - Árvore

Ijo - Dança

Iku - Morte

Iyabasé - Cozinheira

Iyalaxé - Mãe do axé do terreiro

 

LETRA J

Jade - sair

Jádeogun - preparar o combate

Jádi - atacar

Je - comer

Je ewo - má sorte que vem como o resultado de uma violação de tabu ou regra

Jéjé - rogar uma praga

Jeun - comer

Jéwó - confessar

Jé - acordar

Jigi - espelho

Jije - comer

Jikelewi - borrifar

Joko - sentar

Jóná - estar em chamas

Jóò - desculpar, perdoar

Jowo - grande favor

Juba - rezas, pedido

Jajá - Esteira

Jalè - Roubar

Ji - Acordar, roubar

Jeun - Comer

Jimi - Acorda-me

Joko - Sentar

Jade - Sair

Jagunjagun - Guerreiro, Soldado

 

LETRA K

Kàdárà - destino

Kábiyèsí - cumprimento de respeito a um rei (oba)

Kábíyèsìlè - expressão de respeito a um chefe ou mais velho

K'àgò - pedir permissão para entrar em uma casa

Kalè - sentar

Kaná - estar em chamas

Kárò - bom dia

Kárùn - ficar doente

Kàwe - ler

Káwó - saudação, aclamação

Ké - cortar

Kedere - clarear, esclarecer

Kékeré - pequeno

Kéré - ser pequeno

Kéhìndé - o segundo gémeo a nascer

Kíkún - mortal

Kiniun - leão

Kórira - odiar

Kókóró - chave, sagrado para o mensageiro Exu (Eshu)

Kòla - noz de cola amarga. Sagrada para a maioria dos Orixás

Korin - cantar

Ku - morrer

Kunle - ajoelhar no chão como um gesto de respeito, tanto para um local sagrado como para uma pessoa mais velha

Kunrin - cantar

Kurumu - redondo

Kà - Ler, contar

Kan - Azedo

Kekerê - Pequeno

Koró - Fel, amargo

Kòtò - Buraco

Kuru - Longe

Ko Dara - Ruim

Ku - Morrer

Kosi - Nada

 

LETRA L

Lá - sonhar

Lábelè - secretamente

Láikú - imortal

Làí - làí - o começo (considerar tempo)

Láí - láí - para sempre

Làlóju - esclarecer, iluminar

Létòl'tò - segmentos de um ritual

Léwà - ser bonito

Lódè - do lado de fora

Lodê oni - no presente

Lókun - forte

Lóni - hoje

Lówò - ser rico, ter abundância

Lókan - bravo

Lukoun - pénis

Là - Abrir

Lê - Forte

Lile - Feroz, violento

Liló - Partir

Larin - Moderado

Ló - Ir

Lailai - Para sempre

Lowo - Rico

Lu - Furar

Lodê - Lado de fora, lá fora

Lodo - No rio

Lona - No caminho

 

LETRA M

Ma - de fato, realmente

Maga - sacerdote chefe do Orixá Xangô (Shangó)

Màlúù - boi

Màrìwò - folhas de palmeira

Méjì - dois

Mérin - quatro

Mérìndílógún - dezasseis (16), também usado para referir a um sistema de adivinhação usado pelos iniciados de Orixás que está baseado nos primeiros dezasseis versos da divindade Ifá (Odù)

Meta - três

Méwà - dez

Mi - engolir, respirar

Mímo - sagrado, divino

Míràn - outro

Mo - eu

Mojú - saber, conhecer

Móoru - tempo quente

Mu - beber

Malu - Boi

Meje - Sete 

Mun - Beber

Muló - Levar embora

Mojubá - Apresentando meu humilde respeito

Mo - Eu

Mí - Viver

Mejeji - Duas vezes

Mandinga - Feitiço

Maleme - Pedido de perdão

Mi-amiami - Farofa oferecida para exu

Modê - Cheguei

 

LETRA N

Ná - primeiro de todos

Nba - juntar-se

Nfe - amar

Nje - bem

Njo - dançar

Ni - dizer, ser, alguém, aquele, depende do contexto

Nígbàtí - quando

Nikan - sozinho

Níle - em casa

Nko - não

Nlá - grande

Nlo - indo

Nmu - bebendo

Nrin - caminhando

Nro - pensando

Nyín - você

Ná - Gastar

Ní - Ter

Níbi - No lugar

Nítorí - Por que

Nu - Sumir

Najé - Prato feito com argila

Nipa - Sobre

Nipon - Grosso.

 

LETRA O

O - ele, ela, isto

Obì - noz de cola, usado num sistema simplificado de adivinhação

Obí - sexo feminino

Ogìnrin - mulher

Óbo - vagina

Obuko - bode

Òde - do lado de fora

Òde ayé - o mundo todo

Odideé - papagaio

Odò - rio

Òdodo - justiça

Odukun - batata doce

Òfin - lei, direito

Ogbe - crista de galo

Ogbo ato - ficar velho, vida longa

Ogboni - sociedade de homens anciões que adoram o Orixá Onile

gèdè - encanto, feitiçaria

Ojise - mensageiros

Òjò - chuva

Òjòlá - jibóia

Ojú - olho ou face, dependendo do contexto

Ojù àse - força nos olhos

Ojugbede - sacerdote chefe do Orixá do ferro Oggún em Ilé Ifè

Ojubona - professor

Ojú - óòri - sepultura, túmulo

Ojú ònà - caminho, estrada

Oku - cadáver, defunto

Okun - o oceano

Olé - ladrão

Olórí - chefe

Olosa - Orixá da laguna

Oluwo - chefe adivinhador de Ifá do conselho masculino dos anciãos 

Omi - água

Omi ayé - as águas da terra

Omi - tútù - água fria

Omira - sangue menstrual

Ònà - estrada, caminho

Oníbàárà - cliente

Oníbode - porteiro

Onílé - guarda da casa

Oni're - nome em louvor para o Orixá do ferro Ogun, que significa "chefe da cidade de Ire"

Onísé - trabalhador

Òòsà - o mesmo que Orixá

Òòsàoko - Orixá da fazenda

Opèlé - corrente usada pela divindade Ifá, significa: " enigma da palmeira "

Òpin ìsìn - o fim do ritual

Òpópó - rua

Òpùrò - mentiroso

Orílè - nome de uma nação

Òrisà bi - esposa de Orungan

Òtitó - verdade

Otu - sacerdote que faz oferendas em nome do Rei (Oba)

Owó - dinheiro

Oyin - mel

Oba obìnrin - Rainha mãe

Ode - caçador

Òdúndún - erva medicinal

Ofà - flecha

Ofò - feitiçaria

Oka - cobra

Okòn - coração

Olona - nome em louvor ao Orixá Ogun que significa: "proprietário da estrada"

Olòwò - sábio mais velho

Omo - criança

Omodé - criança jovem

Ònà - estrada

Òòni - O Rei da nação Yorubá

Ope - palmeira

Osán - fruta

Òsányìn - Orixá das ervas e dos medicamentos

Òsè - semana ritual de quatro dias

Òsóòsì - orixá da caça

Obé - Faca

Obé fari - Navalha

Oberó - Alguidar

Obirim - Mulher, feminino

Ojiji - Sombra

Oju ona - Olho da rua (caminho)

Omi - Água

Omi Dudu - Café preto

Otí - Álcool

Owo - Dinheiro

Oyin - Mel

Obá - Rei

Odé - Caçador

Orun - Céu

Ofá - Arco e flecha

Olorum - Deus

Ota e Okuta - Pedra

Odo - Rio

Obo - Vagina

Otin nibé - Cerveja

Otin Dudu - Vinho tinto

Otin fum-fum - Aguardente

Odê - Fora, rua

Olodê - Senhor da rua

Omo - filho, criança.

Ongé - Comida

 

LETRA P

Pàdé - encontrar

Pákí - farinha de mandioca

Pákórò - ritual noturno nos funerais

Paré - desaparecer, ser destruído

Pari - completar

Pariwo - gritar

Pèlé - marcas na face. Caracteriza as famílias

Peleke - aumentar

Pín - dividir, repartir

Pitan - contar historias

Pòòkò - copo feito de uma casca de coco

Pupa - vermelho

Putu - bom

Pá - Matar

Pada - Voltar

Padê - Encontrar

Paeja - Pescar

Peji - Altar

Pelebi - Pato

Pupa - Vermelho

Paki - Sala

Patapá - Burro

Pepelê - Banco

 

LETRA R

Rà - comprar

Rá - engatinhar

Rári - rapar a cabeça, o primeiro degrau da iniciação

Rèrè - coisas boas, boa fortuna

Réin - rir

Riri - tremer de medo

Ròjo - chover

Run - perecer, sucumbir

Rà - Comprar

Rere - Muito bem

Re - Ir

Rìn - Trabalhar

Rí - Ver

Ronu - Pensar

Roboto - Redondo

 

LETRA S

Sáà - estação, determinado espaço de tempo

Sàn - estar bem

Sánmò - céu

Sanra - estar gordo

Sè - cozinhar

Sééré - chocalho, sagrado para o Orixá Sàngó

Sinsin - descansar

So - amarrar

Sódé - fora

Sòrò - falar

Sun - dormir

Sunkun - chorar

Sánku - morte prematura

Ségègé - tirar a sorte, fundição de certas formas de adivinhação

Sèké - mentir

Sòkoto - calças

Sòtito - ter fé

Sanro - Gordo

Sare - Rápido, correr

Sínun - Dentro

Sise - Trabalho

Sun - Dormir

Sarapebé - Mensageiro

Sòrò - Falar

Si Ori - Abrir a Cabeça

 

LETRA T

Tà - vender

Táìwo - o primeiro gémeo a nascer

Táláká - pessoa pobre

Téfá - iniciação Ifá

Tanná - acender a luz

Tara - pequena pedra

Te - estabelecer

Tè - pressionar

Té - espalhar

Telé - seguir

Tímótímó - pequeno

Tìnùtìnù - sincero

Titi - até

Tóbi ode - caçar

Túndé - renascer

Tutu - frio

Tata - Gafanhoto

Tèmi - Meu, minha

Toto - Atenção

Titun - Novo

Tóbi - Grande, maior

Tàbá - Tabaco, fumo

Tete - Aplicado

Tanã - Vela, lâmpada

Tún - Retorno

Taya - Esposa

Tutu - Frio, gelado

 

LETRA W

Wà - ser

Wádi - fazer perguntas

Wejeweje - coisas boas

Were - jovem

Wo - relaxar

Wo'gun mérin - os quatro cantos do mundo, as quatro direções

Wolé - entrar

Woléwòdè - entrar e sair

Won - então

Wípé - dizer algo

Wó - o qual

Wòran - assistir

Wodi - investigar

Wa - Nosso

Wèrè - Louco

Wúrà - Ouro

Wu - Desenterrar

Wun ni - Gostar

Wakati - Hora

Wara - Leite

 

LETRA Y

Yá - inundar

Yà - virar para o lado

Yalayala - gavião, rápido, veloz

Yàn - escolher

Yanran - bom

Yara - quatro

Yára - ser rápido

Yesi - quem

Yeye - mãe

Yewere - sem valor, indigno

Yèyé - estupidez

Yi - isto

Yibi - grandeza

Yio - desejo

Yo - aparecer

Yàgó - Licença

Yan - Torrar

Yaro - Ficar aleijado

Yiyan - Assado

Yonrin - Areia

Yama - Oeste 

Yara-ypejo - Sala

 

LETRA X

Xaorô - Tornozeleira de palha da costa usada durante o recolhimento para o processo de iniciação.

Xarará - Instrumento simbólico do Orixá Obaluaiyê

Xê - Fazer

Xirê - Festa, brincadeira

 

Okanbi

Com a bênção de Meu Pai Aggayú e Yemanjá

Para qualquer outra questão sobre este texto, pode-nos escrever para o nosso correio eletrónico e darei mais explicações ou retirarei dúvidas.

Texto retirado do site : xangosol.com

 

 
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Escrito por Okanbi / Omo Aggayú
Categoria:
Ervas de Ossain

Orichas - Ikú Lobi Ocha

FOLHAS DE OSAIN

O Oricha dono das folhas é Osain, oricha do sexo masculino, que quer dizer: "dia glorificado ou manhã glorificada". Já que o dia é glorificado, diziam os nossos ancestrais, as folhas devem ser colhidas pela manhã, nunca à tarde, ficando também neutro o dia de Obatalá (sexta-feira), para a colheita das nossas ervas sagradas.

 

Quando saímos para colher as folhas, devemos levar oferendas ao Oricha dono delas, para agradecer, pois, estamos a levar as folhas sagradas para o culto, também quando formos para o habitat (mata) de Osain, devemos respeitar o que é de mais precioso para a Santeria, não danificando as árvores, pois, nós do culto temos que dar exemplo de preservação do eco sistema. 

 

NÃO EXISTE ORICHÁ SEM FORÇA DA NATUREZA

As folhas são constantemente louvadas dentro dos cultos. Existe um velho provérbio nagô que diz:

 

"KOSI EWÉ

KOSI OMI 

KOSI ORICHA" 

 

Tradução:

SEM A ERVA 

SEM ÁGUA 

NÃO HÁ ORICHÁ

O Oricha tem o poder sobre um grupo de ervas mágicas. O omiero usado para lavar os Otanes deve ser composto de ervas que "pertence" ao Oricha. O recurso mais comum para um Santero ou qualquer crente em Santeria quando confrontado por um problema cuja solução não requer um sacrifício de animais ou qualquer outro ebo específico, está em preparar um banho de ervas (Ewe). 

Usado muitas vezes como um descarrego do corpo, um descarrego do espírito, ou para limpar a casa, é um método mais rápido para resolver problemas e dissipar males ou Osogbos. Quando se trabalha com ervas para vários Orichas é muito importante que as ervas sejam empilhadas separadamente até que estejam prontas para ser misturados no omiero final. Quem normalmente prepara e lava o omiero do seu Oricha recuperar a sua saúde e purifica-se de todas as impurezas. O Omiero é uma mistura sagrada de 21 ervas que é utilizado para lavar Otan (pedras), ferramentas do Oricha, taças, etc.

Falar das folhas na Santeria é muito complexa, pois, nos diversos países e cultos africanos que existem dentro desta religião, as folhas recebem nomes e funções diferentes. Caso deseje saber mais sobre as ervas medicinas nesta religião pode aceder ao nosso espaço web em Ewe dos Orichas

 

Okanbi

Com a bênção de Meu Pai Aggayú e Yemanjá

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Escrito por Okanbi / Omo Aggayú
Categoria:
O Oráculo do Dilloggún

 

Orichas - Ikú Lobi Ocha

ORUNLA

A comunicação com os Orixás pode ser feita pelo oráculo de Ocha ou pelo jogo de Ifa. Olodumarê, o Deus Criador, deu para Orunla enquanto divindade manifestada no mundo, o Diloggún. Este oráculo, o sistema divinatório composto de diversos métodos, os quais são os mais conhecidos o Opelé, o Ikin, o Merindilogun ou jogo de búzios e o Obi, este só é utilizado na realização das obrigações.

Orunla é a divindade de Ocha, é o sistema onde esta divindade se manifesta. Não há Ocha sem Orunla e nem Orunla sem Ocha. Estes dois conceitos são tão intimamente relacionados que muitas vezes nos referimos a Orunla como Ocha. É a divindade da sabedoria e do conhecimento, responsável pela transmissão das orientações dos deuses e dos nossos ancestrais, de maneira a permitir a cada um a possibilidade de uma escolha acertada para uma vida feliz.

“Orunla, a testemunha do destino e da criação, e é o segundo após Olodumarê. Aquele que estava presente, ao lado de Deus, quando a vida, o mundo, o homem foi criado. Orunla tudo vê, tudo sabe, tudo conhece. Não há nada que tenha sido criado ou que virá a ser criado que Orunla não saiba antes. Orunla conhece a vida e conhece a morte, ele conhece a existência: o antes e o depois. Por isso ele pode ajudar.”

Orunla/Ocha deve ser compreendido como um sistema, e o homem é a sua ferramenta. Tanto humano quanto espírito, enviado por Oloddumare para ir a diferentes lugares, sempre que há necessidade, para ajudar os homens a enfrentarem os seus problemas, contornando obstáculos e desenvolvendo o seu bom carácter. Podemos também imaginar Orunla como o espírito de Olodumarê manifestado no homem. Alguns dizem que a palavra Orunla deriva de Oro-Omo-Ela ou Oro= palavra/espírito e Omo= filho, Ela= Deus. 

Após a criação, Orunla veio à terra como divindade encarregada por Olodumaré para ensinar os homens. Esta mensagem é a luz, o conhecimento e a orientação da sabedoria ancestral de toda a humanidade. 

“O jogo de búzios tem por finalidade identificar o nosso Orixá (Ori=Cabeça (física e astral) + Isá=guardião), ou seja, problemas de plano astral, espiritual, material e as suas soluções”. 

O jogo de búzios é uma leitura divinatória e esotérica por excelência, utilizado como consulta, quer seja para identificar o nosso Orcha que é a mesma figura do anjo de guarda, a nossa situação material, astral e espiritual, principalmente com relação a problemas e dificuldades. A leitura esotérica divinatória está diretamente ligada à Orunla ou Orumila, cujos Olorichas, são os seus porta-vozes. Outras lendas africanas, mostram a ligação do jogo de búzios com Exú, Oxum e Obatalá. Os búzios são jogados em número de dezasseis, que correspondem aos dezasseis odús principais.

 

Okanbi

Com a bênção do meu pai Aggayú e Yemanjá

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Escrito por Okanbi / Omo Aggayú
Categoria:
Regras de quem deseja ser iniciado

Orichas - Ikú Lobi Ocha

FUNDAMENTOS DA RELIGIÃO

Neste texto que a seguir apresento, mostro algumas das tarefas e obrigações que alguém que deseja entrar na Santeria Cubana, principalmente na Regra Osha e que não tenha uma ideia firme sobre esta religião. As regras aqui expostas não fazem prevalecer sobre nenhuma outra que exista, pois, cada casa de santo terá as suas regras e condutas próprias. Não é minha questão mostrar todas elas, mas sim mostrar aqueles que considero as fundamentais para um bom entendimento daquela pessoa que deseja entrar nesta religião. 

Estas normas devem seguir e ser ajustadas à conduta, tarefas ou atividades para atingir um objetivo. Este conjunto de regras são de grande importância porque pretendem preparar o Iyawó ou iniciado no cumprimento estrito das regras e do seu Itá, para que alcance a sua harmonia e o equilíbrio na sua existência no plano terreno da vida. Serve também para desenvolver a disciplina, para que alcance, hábitos sáudaveis para conduzir o seu comportamento, para que aprenda a governar a sua maneira de ser, para que conheça através de estes princípios fundamentais de Ocha.

MUITO IMPORTANTE:

O Iyawó deve saber que a iniciação tem uma importância extraordinária, e que significa nascer de novo noutra forma de vida, de onde ele adquire uma nova perspetiva da realidade, devido aos novos conhecimentos, poderes e capacidades que irá a adquirir. Isso acontece como consequência da sua estreita vinculação ao sistema oracular, com o anjo da sua guarda e com as mais distintas consagrações, cerimonias e rituais que se enfrenta. A etapa de Iyawó é de um ano de limpeza e sacrifícios.

 

1 - Yawo durante o seu primeiro ano tem proibido por regras do santo as seguintes coisas: 

a) Durante os primeiros três meses não pode ter a cabeça descoberta.

b) Durante os primeiros três meses não pode comer na mesa, só sobre a sua esteira e no solo.

c) Não pode estar depois das 18:00h da tarde na rua.

d) Não pode manter relações sexuais depois dos 6 dias de fazer o Santo.

e) Não se permite que aperte a mão a ninguém durante um ano.

f) Não pode alimentar senão na sua esteira durante os 3 meses iniciais.

g) Deve atirar-se (saudar) no chão diante de todos os Santeiros maiores.

h) Deve comer com o seu prato e colher e beber no seu copo.

i) Não permitir que se toque na sua cabeça.

J) Não pode passear ou andar em grupos, e nem estar em lugares públicos, onde haja muitas pessoas.

k) Cuidar-se de não molhar a cabeça com a chuva e a neblina.

l) Reger-se pelo seu Ita ao pé da sua letra.

m) Cumprir com a visita aos Santeiros que foram ao seu santo acompanhado pela sua yibbona.

n) Cumprir a visita aos seus Padrinhos uma vez por mês.

o) Não pode estar ou assistir a toques, se não esta apresentado diante do tambor.

p) Quando vai cumprir os 3 meses de santo tem que apresentar um prato, coco, velas e os direitos acordados pelo padrinho para a cerimónia dos seus 3 meses.

q) Se o Iyawo faz o ebbometa o direito é acordado com o Padrinho.

r) Depois da cerimónia dos 3 meses, onde se lhe entrega ao Iyawo, a mesa, e tira-se à mulher, o turbante e o xaile, e no caso do homem, deve tirar o gorro. Depois desta cerimónia, o Iyawo fica livre de estes atributos até ao ano, podendo usá-los em cerimónias religiosas dentro do mesmo. Um Iyawo não se atira a outro Iyawo ainda que seja maior, nem deposita dinheiro na chávena de direitos do santo. Tudo isto é para depois do ano. Deve saber que depois o Santeiro menor deverá sempre saudar o Santeiro maior.

  

2 - Quando o Iyawo vai cumprir o seu ano tem que apresentar, prato, coco, velas e um direito diante do Santo dos seus maiores para que os seus padrinhos possam assistir aos seus cumprimentos. A rogação de cabeça e o coco ao santo pertence a sua Yibbona, a qual cobra um direito por esta cerimónia.

 

3 – Depois do ano, quando deixa de ser Iyawo pelo qual é chamado de Santeiro deve seguir guiando-se pelo seu itamalé por toda a sua vida.

 

4 - Em caso que o Santeiro tenha que receber santos marcados por itamalé, deve ser da mão do seu padrinho.

 

5 - Quando um Santeiro faz a entrega de santos pela primeira vez, os diretos do mesmo pertencem ao padrinho para poder entregá-lo ao santo, tanto os búzios do mesmo. Se o padrinho é falecido tem que ter um representante religioso que lho possa entregar.

 

6 - Quando se cumpre o primeiro ano de santo, o dinheiro que se levanta no prato pertence ao santo do padrinho, como um ramo de flores do trono e algumas frutas, do mesmo tudo isto se leva ao outro dia do cumprimento dos anos.

 

7 - Por lei do santo do padrinho deve ser notificado de todo os passos do afilhado dentro da Regra de Ocha para que o santo do seu padrinho de onde nasceu o possa cobrir com o seu manto. Se não for desta maneira o padrinho e o santo não se pode fazer responsáveis de nada.

 

8 - Quando um Santeiro faz um santo pela primeira vez, os direitos pertence-lhe ao yibboneo do seu padrinho, e o segundo a sua yibbona.

 

9 -  O padrinho dá conselhos sempre baseados no ensinamento do santo, pois, é o Santo na realidade quem guia os seus filhos. Nunca a palavra do santo se põem em dúvida, pois, não escutar pode custar até a morte quando um religioso não obedece, é melhor que não conte com o santo.

 

10 - Por regra de Ocha os padrinhos chamam a um sacerdote oriaté ou obba, quando tem todos os santos do panteão e conhece as cerimónias de entrega, e é ele o encarregado de transmitir através dos búzios a palavra do santo.

 

11 – Somente o oriaté ou obba tem a autoridade para guiar as cerimónias da regra de Ocha, são eles os encarregados de consagrar santos e fazer um itamale e guiar cerimónias de santos de adimú como Olokun, guerreiros, santos lavados e outros.

 

12 - Tudo o que tem que ver com a regra de Ocha pertence somente aos Santeiros, e se é necessário um Babalawo (sacerdote de ifá) o próprio santo o orientará.

 

13 - Quando um Iyawo ou Santeiro tem problemas com o seu padrinho por faltas ou pelo itá, e se chega a um acordo em separar-se da pessoa (e nunca do Santo) a yibbona passara a ocupar esse lugar.

 

14 – A pessoa ainda que esteja separada do seu maior tem a obrigação de ir ao pé do santo duas vezes por ano, no dia de aniversário do santo do Padrinho e do anjo da guarda, e nesse dia o Padrinho não poderá fechar a porta da sua casa nem mesmo aos inimigos.

 

15 - Quando se para alguém diante do santo para perguntar se é bem-aceite nesta casa e a letra do coco é ocana não se retifica, e a partir de esse momento a pessoa tem que procurar outro padrinho ou madrinha. 

 

16 - Por regras de santo um Santeiro pode preparar um iniciado nos colares, guerreiros e Olokun e santos de adimú sem apresenta-lo diante do santo como afilhado de fundamento, e de essa maneira a pessoa tem tempo de conhecer melhor quem vai tomar como padrinho, pois, esta relação de padrinhos e afilhados deve ser para toda a vida.

 

17 – Para atender a uma pessoa religiosamente não se obriga que seja afilhado da casa, por esse motivo tampouco deve pensar-se que ser o padrinho da pessoa tem todo o direto de decidir com quem quer fazer consagrações. Por este motivo, se não esta preparado para enfrentar estes problemas não tratem de captar gente e não terá desilusões religiosas. São os afilhados que escolhem os padrinhos, e é o santo quem escolhe os seus filhos.

 

18 - O  padrinho dentro da casa tem a obrigação de ensinar a lei aos iniciados para que depois não cumpram outra. Se não for desta maneira por conveniência própria terá que enfrentar a lei da casa e reconhecer o seu erro, caso contrario o maior tomara decisões.

 

19 – Se não quer passar por isto tenha estas pessoas fora de alcance dos demais, não se mostre a sua religião e nem a sua casa de santo.

 

20 – Somente se entrega o quarto de santo ao iniciado depois de ter feito o ebbometa, cumprido que sempre é depois dos três meses, ainda que haja casas de santo que só entregam depois de um ano.

 

21 - Os primeiros direitos  que um  Santeiro ganha quando se lhe entrega o quarto de santo se deve ajoelhar diante dos seus maiores e apresentar os direitos aos mesmos. Devem bem-dizer para retirar a maldição que tem o dinheiro em ofún o megua (10) signo do búzio. Depois esse dinheiro se coloca sobre o seu santo, e o podem usar com fins religiosos ou propósitos em que o Santo comparte com os filhos as suas riquezas.

 

22 - Todos os anos o Santeiro pode dar-lhe aves ao seu santo para o aniversário, e se quer dar animais de quatro patas deve perguntar ao santo pois, sempre que necessita de um animal de quatro patas pode resolver grandes problemas na sua vida do religioso, e o Santo pode servir-se quando queira ou entenda necessário.

 

23 – Nenhum Santeiro que não tenha faca está autorizado a matar sobre o  santo, por esse motivo os direitos são guardados pelo oríate ou obbá.

 

24 – A matança do santo não é secreta e as pessoas que não tem consagração, podem participar ajudando a aguentar os animais e limpar.

 

25 - Os Osainistas (encarregados de levantar as ervas de santo) necessariamente têm que ter santo consagrado e conhecer bem as ervas utilizadas na consagração.

 

26 - Dentro da regra de Ocha não se utilizam os santos nem os mortos para atemorizar as pessoas e conseguir lucros para fins próprios. Esta é uma religião de fé e amor. As pessoas que fazem o que sentem e podem querer ao santo toda a vida pois, quando se entra não saem nunca mais.

 

27 – O  santo como o espírito tem a faculdade de criticar os seus filhos e dizer-lhes verdades sem ofender, mais é um dom  que só eles têm, por isso os filhos nunca se devem sentirem ofendidos e devem agradecer sempre o conselho.

 

28 - Quando uma pessoa tem um fluido de uma entidade, seja o santo ou um espírito nunca deve burlar os outros, pois, se verdadeiramente isto acontecer poderá passar muito mal, então é melhor respeitar para não tenha problemas. 

 

29 - Dentro da regra de Ocha  se dá o fenómeno da consciência, a semi-inconsciência e da inconsciência. Estes três fatores podem dar-se dentro do espiritismo, e não do santo, pois, o santo irradia sem vir o qual se chama de barulho, ou vem o qual se chama de possessão ou “monta o filho”. A partir de esse momento o único responsável de tudo, é o mesmo santo dentro da cerimónia que se esteja a realizar.

 

30 - Quando um Santeiro morre, se faz a cerimónia do Ituto onde se determina os santos que se vão com o eggún e os que fica, somente ficam os santos em obara (6) que ficam com a família, e as pedras em oché (5) ficam com a família de sangue.

 

31 - Quando morre o padrinho se guarda um luto durante 3 meses, quando morre a yibona ou um afilhado se guarda luto durante 9 dias.    

 

32 – O luto consiste em não fazer nada religioso durante esse tempo com os santos, e devem mesmo permanecer em repouso por esse tempo e cobertos com lençóis.

 

33 – É um dever do afilhado mesmo que tenha passado o tempo Iyawo saudar diante do seu padrinho cada vez que o veja, pois, não só saúda o padrinho na verdade, como esta saudando o anjo da guarda.

 

34 – É  importante deixar bem claro que em caso de queda da saúde é o santo e não o padrinho, e se o santo autoriza a uma pessoa consagrada na regra de Ocha, estando doente de qualquer padecimento pode fazer o que deseja, e é somente o santo que tem a autoridade de proibir a um filho de não fazer mais santos pela sua saúde e se marca numa letra do búzio que se chama 5-5 (ochemeyi). Somente se faz a proibição numa comida do santo de cabeça com animais de quatro patas ou num lanaçamento de búzios que pela pessoa o santo traga-lhe osogbo. 

 

É importante conhecer que as pessoas que chegam ao santo sabendo qual o motivo principal, pois, o santo o que dá é a vida e a saúde. Como também é um erro crer que se faz santo com as pessoas que estão bem economicamente para que lhe transmita a sorte. O ache traz a pessoa consigo, pois os africanos só tem o seu santo e a sua fé.

 

Okanbi

Com a bênção de Meu Pai Aggayú e Yemanjá

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