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Cozinhar para os Orichas

2020519 

ORICHAS - IKÚ LOBI OCHA

Cozinhar para os Orichas não é uma tarefa simples, e no entanto, muitas pessoas sabem cozinhar, mas nem todo o mundo sabe fazê-lo para as funções religiosas. O Alashé é a pessoa, usualmente uma mulher, que cozinha nas atividades religiosas Lukumí. Este título quase desapareceu, substituído pela palavra cozinheira em português. O Alashé é provavelmente uma das pessoas mais importantes num evento religioso Lukumí, já que ela está com o cargo de preparar os alimentos dos Orixás e dos seus representantes e devotos. O Alashé cozinha para todo o mundo do divino e também para o profano, ambos igualmente exigentes e que deve realizar-se com todo o rigor, referente aos seus gostos.

No passado, durante uma iniciação, a Ojugbona realizava muitas das funções da Alashé. Inclusive, a Iyá ou o Babalorisha contratariam uma Alashé para cozinhar para a cerimónia, pois, a Oyugbona estava obrigada a cozinhar diariamente ao Iyawó. A Ojugbona era totalmente responsável de qualquer coisa relacionada com o Iyawó. Se algo se afeta o Iyawó durante o período de recolhimento, a Ojugbona teria que prestar contas. Também a Ojugbona estava obrigada a cozinhar os iñales para os Orichas do Iyawó.

Na manhã do segundo dia, chamado do dia do meio, a Ojugbona teria que, primeiro lavar os Orichas do Iyawó, depois cozinhar os iñales e os seus acompanhamentos - ekó, ekurú, olelé, akará, ñame, milho, e demais - e ter postos em cima dos Orixás do Iyawó antes do meio-dia. Cozinhar para as divindades são uma tarefa de muita responsabilidade, mas muito enriquecedora, pois, cada Oricha tem preferências específicas referentes aos alimentos que aceita e a sua preparação. O Alashé deve ser ter um conhecimento alargado nestas preferências divinas, para não cometer nenhuma infração das proibições. 

As comidas de Eleggwá, Oggún, Oshosi, e Orishaoko devem-se assar, e não guisar. As comidas de Obbatalá preparam-se com manteiga de cacau, nozes, sem sal, pimenta, nem vinho seco. Não se pode deitar óleo de palma para cozinhar para Obatalá. Sem problemas, as comidas de Oduduwá podem levar óleo de palma e sal. 

O carneiro é a maior proibição de Oyá, e não se deve cozinhar a comida dela, numa taça na qual se cozinhou antes carneiro. As comidas de Shangó e de Agayyú são pimentosas e picantes. Babaluayé também gosta da pimenta, o picante, e gengibre, mas não agrada muito o sal. Yemajá, Erinle e Oshún gostam das comidas doces, quase caramelizadas. As comidas de Oba e Yewá devem ser cozinhadas por uma mulher.

Há muitas observações nas quais a Alashé deve seguir com exatidão e rigor, ela vai exercer a sua função correta e respeitosamente. Ademais do conhecimento e da precaução, a Alashé deve também praticar uma higiene impecável. A limpeza é imprescindível numa cozinha Lukumí. Ela deve banhar-se logo quando se levante da cama, antes de entrar na cozinha. Deve ter o seu cabelo apanhado e preso com um lenço branco e conservar as suas mãos e unhas especialmente limpas.

A cozinha Lukumí deve ser imaculada. Quando a Alashé chega ao Ilé (casa), deve verificar com cuidado a cozinha para assegurar que tem tudo o que necessita, inclusivamente os artigos de limpeza como detergentes, panos de cozinha, papel, toalha e mais outros artigos. Deve lavar pessoalmente todos os utensílios e as panelas, mesmo que pareçam estar limpas.

Muito importante em cada vez que ela usa um utensílio ou uma panela, deve assegurasse de que esta limpo, e no mínimo, enxaguar com água quente antes de usa-la. Ela deve assegurar-se que cada comida tem a sua própria colher. É incorreto e perigoso usar a colher já previamente usada para mexer um alimento e utilizar para mexer outro, pois, os Orixás e os Olorishas têm os seus ewós (tabus ou proibições) específicos e a Alashé deve ter extremo cuidado de não misturar os alimentos e as colheres de modo que ela não viole um ewó.

A área da cozinha deve estar livre de estorvos, incluindo as pessoas que estão na atividade. A única pessoa que pode estar na área da cozinha, durante a preparação dos alimentos religiosos, é Alashé e um ajudante. Destapar uma panela sem o consentimento da Alashé é um ato que a maioria dos Alashés consideram altamente irrespeitoso. Nada, nem se quer o dono da Ilé, tem o direito de imiscuir dos assuntos da cozinha quando há uma Alashé responsável a cargo de ela. As condições ideais na cozinha Lukumí deve ter utensílios para cozinhar e servir para cada Oricha. Cada divindade deve ter as suas próprias panelas, pratos, taças, colheres, terrinas, chavetas, facas e demais utensílios de cozinha. Obbatalá, deve ter uma taça na qual se pode cozinhar as suas comidas, livre de sal, pimenta, e óleo de palma, de modo que não seja contaminada com as comidas e sabores dos outros Orixás. 

Oyá deve ter panelas para o seu uso exclusivo nas quais não se cozinha carneiro ou os iñalés de Shangó, Yemajá, e outros Orichas que comam carneiro. Lamentavelmente, devido às numerosas razões, isto nem sempre é possível. As casas modernas carecem do espaço necessário para poder ter uma cozinha que seja adaptada com as necessidades dos Orichas. As cozinhas contemporâneas são pequenas, apertadas, e carecem de suficientes espaços para armazenar todos os produtos necessários. Inclusive as Ilés equipadas especialmente para as ordenações e os rituais Lukumís não têm todos os recursos e o espaço necessário para instalar uma cozinha com as condições apropriadas. Às vezes, a Alashé tem que trazer as suas próprias panelas e utensílios porque os que estão disponíveis na Ilé não são os adequados.

À parte do necessário para as divindades, cada Ilé deve também ter copos e pratos dedicados exclusivamente para o uso dos Olorishas e os visitantes que ajudam nas funções religiosas da Ilé. A maioria dos Oloshas entendem que os pratos em plásticos são mais higiénicos e menos trabalhosos do que os de loiça. No entanto, para as mesas formais que se montam para as ordenações de Osha ou Ifá, e para os Pinaldos, Honras, e outras cerimónias importantes, os de loiça, ou de cristal, são obrigatórios. A maioria dos Orixás, não têm preferências específicas referentes às panelas e utensílios que se usam para preparar os seus alimentos. As colheres de madeira são preferidas aos de metal ou plástico, e as panelas, e frigideiras de alumínio pesado ou ferro inoxidável são preferíveis às outras. No obstante, há algumas exceções.

 

NANÁ BURUKÚ E NANÚ

Como o metal é ewó para Naná devido a sua zanga com Ogún, os seus alimentos devem-se cozinhar em taças de barro e mexer com colheres de madeira. Ela deve ter as suas próprias chávenas, pratos, e taças, separados dos demais artigos de cozinha da Ilé. Nanú também tem brigas com Oggún. Ela também proíbe o metal, pelo qual se deve usar taças de barro e colheres de madeira para preparar a suas comidas. Os sacrifícios para estas duas Orixás devem-se realizar com uma faca de cana brava. Apesar da proibição do metal, é difícil cortar as carnes para os iñalés de Naná e de Nanu sem usar uma faca de metal. Em relação a este respeito, os Alashés não têm outro remédio que passar por cima desta proibição, pois, não há melhores opções.

 

YEWÁ E ODUDUWÁ

Estes dois Orixás são muito meticulosos. Cada um deve ter panelas individuais, colheres, pratos, taças, chávenas e demais artigos para o seu uso exclusivo. Estes devem ser claramente identificados para que não se utilizem para nenhum outro Oricha. Se ocorrer uma mistura, o utensílio é considerado contaminado e não deve ser utilizado mais para Yewá ou Oduduwá. Ademais, nem todo o Alashé pode cozinhar para Yewá. A pessoa ideal para cozinhar para Yewá é uma jovem ou uma mulher maior que tenha atravessado a menopausa. Preferencialmente, uma oló de Oshún ou uma oni Yemajá. Os homens nunca devem cozinhar a Yewá.

 

SHANGÓ

Ainda que a maioria das Alashés sejam mulheres, alguns homens também cozinham. No entanto, é aceitável que um homem cozinhe os iñalés e outros adimús, os homens não podem cozinhar nem amalá ilá - farinha e kiabo – nem kalalú a Shangó. Estes devem ser cozinhados por uma mulher.

 

OYÁ

Nunca se deve cozinhar carneiro numa taça de barro na qual se cozinha os alimentos de Oyá. Tão pouco se deve contaminar com a carne de carneiro as colheres usadas para mexer as suas comidas, nem as chávenas, os pratos ou as fontes usadas para servir. Oyá também têm aversão a carne de tartaruga, no entanto, este ewó não é bem conhecido nem é tão rigoroso como o de carneiro. 

 

OBA

Alguns Oloshas afirmam que há um pouco de fricção entre Oba e Oyá. Como tal, fazem um esforço para mantê-las separadas. Esta separação também se pode estender à cozinha. 

 

 

Okanbi

Com a bênção dos meus Orichas, Aggayú e Yemanjá.

Para qualquer outra questão sobre este texto, pode-nos escrever para o correio eletrónico e darei mais explicações ou retirarei dúvidas.

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