O Casamento Lucumí (tradição Iorubá) é uma cerimónia especial e essencialmente espiritual, que transcende o simples acordo material para estabelecer uma ligação entre a terra e o céu. Acredita-se que, sem este ritual, a ligação espiritual e sentimental entre os cônjuges não se manifesta plenamente na vida terrena.
O processo começa com a formalização do interesse e a negociação entre as famílias, um reflexo dos costumes tribais africanos:
Uma vez aprovada a união e encontrado o lar, segue-se a cerimónia de consagração, que tem Obatalá (o criador) como principal testemunha.

Oferendas Simultâneas: O noivo providencia diversos animais para o Ebbó (sacrifício) Dele e da noiva. Os animais são apresentados simultaneamente aos Orichás do casal.
Exemplo: Se o homem for Oní Xangô (filho de Xangô), os animais incluirão duas cabras, um bode e dois carneiros, sendo também feito um Ebbó para o Orichá de cabeça da noiva.
Após o sacrifício, o Oriaté (mestre de cerimónias) invoca os Egguns (mortos ancestrais) de cada um, sob a presidência dos Padrinhos e da Oyubona (vestidos com roupas ancestrais e luxuosas).
A Saudação: Os futuros cônjuges sacrificam os animais a Obatalá, elevando os braços para o céu para pedir proteção e ajuda divina.
Comunhão: O Oriaté dá a cada noivo o coração de um animal. Os noivos comem os ovos levados para o ninho, misturados com óleo de palma (epó) e oito pimentas.
Música: Todo o ato é acompanhado por música a Obatalá e cantos de louvor.
Distribuição da Carne: A carne dos restantes animais sacrificados é dividida pelas pessoas que ajudaram e que estão presentes na cerimónia.
Enterro Sagrado: As duas pombas usadas na cerimónia são enterradas ao pé de uma árvore, finalizando o ritual.
Festejos: Após a cerimónia religiosa, seguem-se sete dias de festejos, danças e tambores, pagos pelo noivo ou pela Sua família, celebrando a união sacramental.