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Casamento Lucumí: O Ritual Sagrado de União e a Aliança Espiritual

Casamento Lucumí: O Ritual Sagrado de União e a Aliança Espiritual

Ligação espiritual e sentimental entre os cônjuges

O Casamento Lucumí (tradição Iorubá) é uma cerimónia especial e essencialmente espiritual, que transcende o simples acordo material para estabelecer uma ligação entre a terra e o céu. Acredita-se que, sem este ritual, a ligação espiritual e sentimental entre os cônjuges não se manifesta plenamente na vida terrena.

 

I. A Negociação Pré-Nupcial (Consentimento e Compromisso)

O processo começa com a formalização do interesse e a negociação entre as famílias, um reflexo dos costumes tribais africanos:

  1. Consulta aos Pais: O noivo deve primeiramente perguntar aos pais da noiva (ou a alguém próximo se os pais estiverem ausentes) se eles desejam o matrimónio.
  2. Condições e Aceitação: Os pais da noiva colocam as Suas condições (materiais e morais). Se houver aceitação e o noivo demonstrar a capacidade de cumprir as necessidades, o casamento avança.
  3. Consagração da Noiva: Nesta fase, é um requisito que a mulher seja consagrada no credo religioso do marido para harmonizar o lar espiritual.
  4. O Novo Lar: O homem fica encarregado de encontrar um local para viver (a nova residência do casal).

 

II. O Ritual Central: Aliança com Obatalá e os Ancestrais

Uma vez aprovada a união e encontrado o lar, segue-se a cerimónia de consagração, que tem Obatalá (o criador) como principal testemunha.

 

A. O Símbolo da Criação e da Fidelidade

  • Pombos e Ovos: O casal leva para o novo lar uma pomba e um pombo com o respetivo ninho. Colocam dois ovos, que serão depositados no Adde (coroa) de Obatalá. Este ato sela o juramento de felicidade conjunta.

 

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B. O Ebbó (Sacrifício) para os Orichás
  1. Oferendas Simultâneas: O noivo providencia diversos animais para o Ebbó (sacrifício) Dele e da noiva. Os animais são apresentados simultaneamente aos Orichás do casal.

  2. Exemplo: Se o homem for Oní Xangô (filho de Xangô), os animais incluirão duas cabras, um bode e dois carneiros, sendo também feito um Ebbó para o Orichá de cabeça da noiva.

 

C. A Cerimónia do Coração e dos Ovos

Após o sacrifício, o Oriaté (mestre de cerimónias) invoca os Egguns (mortos ancestrais) de cada um, sob a presidência dos Padrinhos e da Oyubona (vestidos com roupas ancestrais e luxuosas).

  1. A Saudação: Os futuros cônjuges sacrificam os animais a Obatalá, elevando os braços para o céu para pedir proteção e ajuda divina.

  2. Comunhão: O Oriaté dá a cada noivo o coração de um animal. Os noivos comem os ovos levados para o ninho, misturados com óleo de palma (epó) e oito pimentas.

  3. Música: Todo o ato é acompanhado por música a Obatalá e cantos de louvor.

 

III. O Encerramento e a Celebração

Distribuição da Carne: A carne dos restantes animais sacrificados é dividida pelas pessoas que ajudaram e que estão presentes na cerimónia.

  1. Enterro Sagrado: As duas pombas usadas na cerimónia são enterradas ao pé de uma árvore, finalizando o ritual.

  2. Festejos: Após a cerimónia religiosa, seguem-se sete dias de festejos, danças e tambores, pagos pelo noivo ou pela Sua família, celebrando a união sacramental.

 

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