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Povo Cigano

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Escrito por Anastácia

A cigana no baralho de taro
 

Guias Espirituais

Sabemos de antemão que o povo cigano existe há muitos e muitos anos, sempre numa cultura de misticismo e crenças antigas. Temos ainda conhecimento de que os mesmos transportam consigo uma variedade de costumes, bem como imensas lendas. O que este artigo aborda em questão, é a presença desse povo e da sua influência espiritual em determinadas religiões. Ordenadamente, vamos organizar, conhecer e compreender a presença desse povo e da sua influência espiritual na sociedade atual.

 

Ser cigano

Ser da etnia cigana, significa respeitar a sua liberdade e dos outros, a natureza e acima de tudo na sua perspetiva é viver e deixar viver. Também acreditam que é preciso ter a lucidez de saber esperar, e preferem morrer com honra, do que viver desonrado. Levam em prática o lema ser feliz, e agradecer as pequenas coisas da vida. Respeitam os mais velhos e as suas crianças, e nunca contestam a Justiça Divina. Os ciganos também não possuem sacerdotes ou curandeiros, ou ainda um feiticeiro em particular, pois cada cigano e cigana tem os seus próprios talentos para a magia. Todo o povo cigano se considera portador de virtudes doadas por Deus como patrimônio de berço, cabendo à cada um desenvolver e aprimorar os seus dons divinos da melhor forma adequada. Existem diversos autores que citam que cada grupo cigano tem o seu feiticeiro particular denominado “kakú”, porém esta palavra no idioma romani significa apenas homem ou mulher, não tendo qualquer credibilidade esta afirmação. Os ciganos preferem e acham mais correto o termo clã para denominar os seus grupos.

 

Origens

Existe muitas lendas e histórias sobre as origens do povo cigano, desde que foram guiados por um rei no passado e que se instalaram numa cidade da Índia chamada Sind, ou segundo outra lenda, narrada pelo poeta persa Firdausi no século V d.C. (foi um poeta considerado o recriador da língua persa. Escreveu a maior epopeia existente nessa língua - o Shahnameh ou "Livro dos reis" - um poema com cerca de 60.000 dísticos - versos de duas estrofes), um rei persa mandou vir da Índia dez mil Luros, nome atribuído aos ciganos, para entreter o seu povo com música.

Mas as maiores certezas sobre as origens dos ciganos foram obtidas através de estudos linguísticos feitos a partir do século passado. Entre muitas características comuns, os vários dialetos que constituem a língua cigana, chamada romani ou romanês, e algumas línguas indianas, como o sânscrito, permitiu que se estabelecesse com certeza uma origem indiana dos ciganos. Na questão da razão pela qual abandonaram as terras nativas da Índia, permanece ainda envolvida em mistério. Parece que eram originariamente sedentários e que devido ao surgimento de situações adversas, tiveram que viver como nómades.

Dos muitos preconceitos, e á discriminação, até chegar as perseguições foi um passo. Na Sérvia e na Romênia foram mantidos em estado de escravidão por um certo tempo, e sob o nazismo os ciganos tiveram um tratamento igual aos dos judeus. Calcula-se que meio milhão de ciganos tenha sido eliminado durante o regime nazi. Mas, atualmente os ciganos estão presentes em todos os países europeus, nas regiões asiáticas por eles atravessadas, nos países do médio oriente e do norte de África. Na Índia existem grupos que conservam os traços exteriores das populações ciganas: trata-se dos Lambadi ou Banjara, populações seminómades que os “ciganólogos” definem como “Ciganos que permaneceram na pátria”. Recentes estimativas sobre a consistência da população cigana indicam um valor aproximadamente de 23 milhões de indivíduos. Deve-se salientar que estes dados são aproximados, pois na ausência de censos, esses se baseiam em fontes de informação nem sempre corretas e confirmadas.

 

Os principais grupos ciganos

Atualmente, existe um sem-número de grupos ciganos, sendo os mais expressivos no presente os seguintes:

 

Clã Kalon

As grandes características deste clã, foram fixaram residência especialmente em Espanha e Portugal, onde sofreram muitas perseguições, pois sendo estes países profundamente católicos e conservadores, não podiam admitir os costumes ciganos. Foi também proibido falar o seu idioma, usar as suas vestes típicas e realizar festas e cerimônias segundo as suas tradições. Num termo de comparação o que os ciganos sofreram na Península Ibérica, lembra de uma certa maneira o que os negros sofreram nos Estados Unidos e no Brasil. Apesar de todos os sofrimentos o Clã Kalon sobrevive até os dias atuais, sendo um dos grupos que mais fielmente segue as tradições ciganas, e acredita-se serem originários do antigo Egito.

 

Clã Moldovano

Um clã de pele mais clara e olhos azuis, acredita-se que é originário da antiga União Soviética, devido aos rigores do inverno russo e do cruzamento de raças. Uma das vantagens deste clã, é que sobre as pesadas roupas e capotes escuros, mal reconhecemos a sua origem cigana. A denominação “moldavano” vem da palavra Moldávia, uma região da Europa central, que chegou a fazer parte do Império Russo e da antiga URSS.

 

Clã Hoharanô

Poucas informações detemos deste clã, mas o que sabemos têm uma origem turca, e se destacaram em especial como grandes criadores de cavalos. Devido a serem grandes criadores de cavalo, uma grande parte deste clã chegou a América Central, especialmente Brasil e Bolívia no final do século XVIII.

 

Clãs Kalderash e Matchuiya

Os ciganos do grupo Kalderash são originários da Romênia e da antiga Jugoslávia, o berço dos Matchuiya. Os primeiros clãs de ciganos a chegarem ao Brasil eram do clã Kalon e vieram de Portugal em meados do século XVII. Nessa época Portugal, necessitando de mestres de forja no Brasil, enviou-os para lá para que fabricassem ferraduras, armamentos e ferramentas. Devido a sua especialidade a lidar com o ferro, fizeram também utensílios domésticos, como tachos e alambiques para o fabrico de aguardente (cachaça), famosos até hoje por serem extremamente bem feitos e resistentes.

 

A família

Quando falamos da família cigana, o domínio da família é exercido de uma maneira autoritária pelo homem. Ele é sempre o líder, e ele compete a proteção, a segurança e o sustento da família. Devido a isso a mulher e os filhos o respeitam como máxima autoridade, e lhe são inteiramente subordinados. Na cultura cigana são sempre os homens que resolvem os conflitos, acertam o casamento dos filhos, decidem o destino da viagem e se reúnem em conselhos sobre assuntos abrangentes e comuns ao Clã.

Uma grande maioria das mulheres ciganas não trabalham fora do lar, e quando vão às ruas para ler a sorte, esta tarefa é entendida como um cumprimento de tradições e não como parte do sustento da família, apesar de elas entregarem aos maridos todo o dinheiro conseguido. Os ciganos formam casais legítimos unidos pelos laços do matrimonio, e os seus costumes não permitem viverem juntos sem um casamento ou aceitarem a traição, que se paga com a vida. Vivem juntos geralmente até a morte e raramente ocorrem entre eles separações ou divórcios, que somente acontecem se existir uma razão muitíssimo grave e com decisão do tribunal reunido para julgar a questão.

O casal marido e mulher, são sempre muito reservados e discretos em público, não trocando nenhum tipo de carinho que possa ser entendido como intimidade. Tudo é vivido somente em absoluta privacidade. Enquanto o homem cigano representa o esteio e o braço forte da família, a mulher significa o lado terno e de proteção espiritual dos lares ciganos. Todas as mulheres devem cuidar das tarefas do lar, e as meninas ficam sempre ao redor da mãe, auxiliando nos trabalhos da casa, ajudando a cuidar dos irmãos menores e aprendendo as tradições e costumes como a execução da dança, a leitura das cartas e das mãos, a realização dos rituais e cerimónias, os preceitos religiosos. Se uma criança ou jovem cigano sai dos eixos, tem um comportamento inadequado ou procede mal, geralmente a mulher é responsabilizada por tais feitos. Para a mulher cigana, o milagre mais importante da vida, é o da fertilidade. Quanto mais filhos tiver, é considerada pelo seu povo, uma mulher dotada de sorte. A pior praga para uma mulher cigana é desejar que ela não tenha filhos. Talvez seja esse o motivo das mulheres ciganas terem desenvolvido a arte dos rituais de simpatias e garrafas milagrosas para a fertilidade.

 

Representantes da sabedoria

A meu ver em todo o clã cigano, são os idosos os merecedores da mais alta estima e respeito. Eles são vistos e tratados como os detentores da sabedoria e da experiência de vida acumulada, e todos os seus conselhos são ouvidos pelos jovens e pelos adultos como sendo a voz do conhecimento aprendido na prática da vida do dia-a-dia. São lhes dado a responsabilidade pela transmissão oral dos ensinamentos e tradições, e por isso são considerados como sábios. No passado manda a tradição que os mais jovens lhes beijem as mãos em sinal de respeito. Possuem um lugar de destaque nas festividades e cerimonias ciganas, atuando também como conselheiros e consultores nos tribunais de justiça.

 

Religião

O povo cigano ao deixar a Índia, não carregou consigo as suas divindades. Apesar da cultura, eles possuíam na sua língua apenas uma palavra para designar Deus (Del, Devel). Como povo adaptou-se facilmente às religiões dos países onde permaneceram. Nas civilizações antigas como por exemplo no tempo bizantino, tornaram-se cristãos, na Turquia muitos ciganos permaneceram cristãos enquanto que outros renderam-se ao Islão. Por isso é que não detêm uma religião própria. Agora o que sabemos é que Santa Sara de Kali poderá ser a padroeira do povo cigano, é pouco conhecida, como também é pouco conhecida a sua história. O que sabemos é que foi uma cigana escrava que venceu os mares com a sua fé e virou Santa. Conta a lenda que Maria Madalena, Maria Jacobé, Maria Salomé, José de Arimatéia e Trofino, junto com Sara, uma cigana escrava, foram atirados ao mar, numa barca sem remos e sem provisões.

Desesperadas as três Marias puseram-se a orar e a chorar. Sara então retira o seu lenço da cabeça, chama por Jesus Cristo e promete que se todos se salvassem, ela seria escrava de Jesus, e jamais andaria com a cabeça descoberta em sinal de respeito. Milagrosamente, a barca sem rumo, atravessou o oceano e aportou com todos salvos em Petit-Rône, hoje a tão querida Saintes-Maries-de-La-Mer, no sul da França. Sara cumpriu a sua promessa até o final dos seus dias. As suas histórias e milagres a fez Padroeira Universal do povo cigano, sendo festejada todos os anos no dia 24 de maio. Segundo está lenda a tradição de toda a mulher cigana que casa é usar um lenço na cabeça, tornando a peça mais importante do seu vestuário, tanto que quando se quer presentear uma cigana com o mais belo presente, se diz: “Te darei um lindo lenço”.   

Além de trazer saúde, prosperidade, Santa Sara de Kali é adorada também pelas ciganas por ajuda-las diante da dificuldade de engravidar. Muitas que não conseguem ter filhos, fazem promessas, no sentido de que, se concebessem, iriam à cripta da Santa, em Saintes-Maries-de-La-Mér, fariam uma noite de vigília e depositariam aos seus pés como oferenda, um lenço, o mais bonito que encontrassem. Lá existem centenas de lenços, como prova que muitas mulheres receberam essa graça.

 

O povo cigano na espiritualidade

O povo cigano trata-se de um grupo constituído por homens e mulheres que tem como grande costume a espiritualidade e a sua devoção. Como os ciganos são nómades, assim já tiveram em contacto com muitas civilizações e culturas que acabaram por adquirir os seus costumes e lendas. No entanto devido a sua cultura ancestral também deram o seu lado místico através da música, um povo alegre, feliz, leem as mãos, cartas entre outros objetos de leitura. Os ciganos são poeticamente denominados dos “Filhos do Vento”, pela sua liberdade, mobilidade sempre ao sabor do vento, percorrendo os quatro cantos do mundo na sua mágica trajetória. Profundos conhecedores dos caminhos, na sua saga milenar vêm recolhendo conhecimentos iniciáticos de todas as culturas e tradições. Outra característica marcante é o seu conhecimento místico por meio das cartas do Tarot ou Ciganas, ou outros suportes materiais como bolas de cristal, estrelas do mar e simples copos de água, o futuro, o presente e o passado desdobram-se nas suas visões.

 

Nomes de Ciganos e Ciganas

Uma outra característica é os nomes dados aos seus filhos no nascimento. Dão grande importância ao nome da criança, pois acreditam que assim, o futuro dessa criança seria risonho e prospero. 

 

Alba – Branca ou pureza

Alzira – Ornamento e beleza

Amapola - Bela flor

Aurora - Deusa da manhã

Bóris - Batalhador, forte e guerreiro

Cármen - Poema, poesia e versos

Carmecita ou Carmela - Jardim divino

Constância - Caráter forte

Cristiano – Cristão e religioso

Dalila - Mulher dócil

Diogo - O conselheiro

Dolores - Lamentações

Esmeralda - Preciosa

Florisbela - Bela e atraente

Gonçalo - Salvo na guerra

Iago - Aquele que vence

Igor - Príncipe da paz

Jade – Pessoa preciosa

Jasmim - Verdadeira

Leoni - Corajosa

Manolo - Deus está connosco

Miro – Excêntrico ou pessoa maravilhosa

Natasha - Vida

Nazira - Pessoa distinta

Nicholas ou Nikolai - Povo vitorioso

Pablo – Atraente e misterioso

Ramon - Protetor e poderoso

Ramirez - Guerreiro ilustre

Ruan ou Juan – Crente

Samara: Protegida por Deus

Sara - Princesa

Soraya - Estrela da manhã

Tâmara - Fruto doce

Tarim - Caprichoso

Válter - Comandante do exército

Vladimir - Regente

Zafira - Graciosa

Zaíra ou Zaira – Visitante ou a florida

 

RITUAIS MAIS CONHECIDOS

Deixamos aqui alguns rituais do povo cigano das suas simpatias energéticas, e dos seus rituais básicos deste povo.

  

O nome na maçã

Pegue uma maçã e um pedacinho de papel branco. Escreva nesse papel o nome da pessoa amada, faça um furo na maçã e coloque, nesse furo, o pedacinho de papel com o nome escrito. Feche esse buraco com mel e açúcar. Vá até um jardim público, coloque-se de costas e atire a maçã por sobre a cabeça. Retire-se sem olhar para trás e não deve retornar a esse lugar por sete dias.

 

Encantamento com fotografia

Pegue uma fotografia da pessoa amada, amarre uma fita vermelha horizontalmente, deixando as pontas pendentes. Prenda-a do lado de fora da porta da frente da sua casa, numa noite de lua cheia, após as nove horas da noite. Deixe até o dia seguinte, e então deve retirar e pô-la debaixo do travesseiro, até a pessoa voltar. (E ela volta!).

 

Para prender o coração de alguém

Costure um saquinho de veludo vermelho colocando dentro arruda, uma foto do seu amor e alecrim, de forma que a foto fique entre as duas plantas. Termine de fechar com linha, mas não dê nenhum nó no arremate. Simplesmente continue alinhavando ao redor do saquinho até a linha terminar. Nenhum pedaço deve sobrar nem ser jogado fora. Feito isso, introduza a agulha no interior do saquinho. Passe a carregar consigo esse talismã e sempre nas sextas-feiras de lua cheia, tente se aproximar dessa pessoa e conversar, mas sempre só após as nove horas da noite. Quando você conseguir o que pretende, enterre o saquinho perto de uma bonita árvore.

 

Receita cigana de banho para atrair o seu amor

Se você tem uma banheira, use-a. Se não, coloque numa panela grande, contendo 2 litros de água. Coloque arruda, erva doce, açúcar cristal, um ramo de oliveira e uma gota do seu perfume usual na água aquecida sem ferver. Após o seu banho normal, jogue a água sobre você (ou entre na banheira) mentalizando o seu amor. Acenda uma vela vermelha para o cigano Wladimir (protetor dos grandes amores).

 

Ritual de nascimento

O cigano preserva muito a sua sorte. Existem várias crenças para mantê-la, da vida uterina até a morte. Diariamente a cigana faz um ritual simples para que a criança ao nascer tenha sorte: ao avistar os primeiros raios de sol, passa a mão na sua barriga, da mesma forma, logo que vê os primeiros raios de luar, ela repete o gesto, desejando sorte e felicidade para o bebê. Esta é a forma dela saudar as forças da natureza e pedir-lhe as bênçãos das suas luzes para a vida que já existe no seu ventre. No sétimo dia após o nascimento da criança a mãe dá um banho no bebê, jogando moedas e joias de ouro e pétalas de rosas na sua água, para que o filho ou filha conheça sempre a fartura, a prosperidade e a riqueza.

 

O significado dos incensos no povo cigano

Todo o incenso deve ser usado com muita cautela nunca em demasia como fazem algumas pessoas, e deve ser sempre dirigido a alguma causa. Não deve ser utilizado simplesmente por usar, por nada ou sem motivo, deve sempre ter um dono que o receba e que tenha o seu nome pronunciado no momento do pedido. O incenso é um expediente sagrado e tem sido usado em rituais sagrados de toda espécie desde que o homem é homem. O uso inadvertido ou pouco conhecido de determinados instrumentos, regra geral a rituais, consagrações e outros tantos motivos, não é aconselhável. Fato que nos leva à necessidade de orientação, pesquisa e instrução a esse respeito. Quando se tratar de um espírito cigano (guia), com certeza ele indicará o incenso da sua preferência ou da sua necessidade naquele momento, regra geral o incenso mantém sempre correspondência com a área de atuação dele ou dela ou do trabalho que estará sendo levado a efeito.

 

MADEIRA: para abrir os caminhos

ALMISCAR: para favorecer os romances

JASMIM: para o amor

LOTUS: paz e tranquilidade

BENJOIM: para proteção e limpeza

SANDALO: para estabelecer relação com o astral

MIRRA: incenso sagrado usado para limpar após os rituais e também usado quando vai se desfazer alguma demanda ou feitiço

LARANJA: para acalmar alguém ou ambiente

 

 

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