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Escrito por Okanbi / Omo Aggayú
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Este web site de Santeria foi criado com o objetivo de clarificar o que é a Santeria Cubana ao público Português. Muito se fala de Santeria, mas poucos realmente sabem do que se trata. Neste espaço mostro as diversas vertentes que existem nesta religião, sem, no entanto, em entrar em todos os pormenores. Como sabemos muita desta religião foi passada de pai para filho, sempre de forma oral e desta forma foi-se perdendo muita informação durante os últimos séculos. Sendo assim os textos que aqui coloco serão somente do ponto de vista de quem escreve, e de que ilé de Ocha (casa de santo) pertence. Sabemos nós que alguns estudiosos e Oriatés desejam sempre mostrar que são eles os sabedores desta religião, mas lembro sempre que nenhum Oloricha, Santero, Oriaté ou Babalawo possui a sabedoria total, e sendo assim não devemos falar em verdades absolutas. 
 
Aqui neste espaço vamos debater temas e falar abertamente sobre o que é a Santeria, as suas crenças, os seus Orichas e a sua forma de pensar. Passa por desmistificar tabus e crenças que o publico em geral têm sobre a nossa Religião Yorubá. Desta forma vamos esclarecer ao estudiosos e crentes que a Santeria não passa de uma evolução espiritual real e assente em princípios históricos, e com bases religiosas muito fortes, sobre a vinda do ser humano a terra. Trata-se de sensibilizar o público em geral, o que se sabe sobre a nossa bela religião. Quando falamos desta religião cremos saber do que se trata, se acreditamos em DEUS, e de que forma fazemos esta adoração. Esta religião que alguns falam, mas que para outros não passa de uma grande filosofia, é também conhecida como "Regra de Ocha" e foi atribuída uma imagem quase sempre negativa, por parte de certas pessoas que, por pertencer a outras religiões ou grupos religiosos ou seitas, se sentiram com a autoridade moral de fazer certos comentários, afirmações, criticas e ataques com a maior maldade, sem saber absolutamente nada desta bela religião. 
 
Acreditamos nós que esses crentes porque se sentem defraudados, enganados ou confundidos pela sua religião e porque chegaram a conclusão de que aquela a qual eles dedicarão toda a sua vida, está cheia de erros e enganos e maldade, que levarão pouco a pouco a humanidade ao que é hoje em dia, acham-se no direito de falarem daquilo que não sabem e nunca chegarão a perceber. Por isso se queres aprender mais sobre esta bela religião, então lê os textos colocados aqui neste blogue, e desfruta do conhecimento adquirido durante muitos séculos por este povo.
 
Desde já o meu obrigado
Okanbi / Omo Algallú
 

ÚLTIMO TEXTO PUBLICADO


CâNTICOS PARA EGGUN

Data: 05-06-2017 | Escrito por: Omo Okanbi

ORO EGGUN - Estes cânticos para os Egguns (mortos) devem ser de conhecimento geral de quem desejam conhecer e compreender os Orichas. Quando vamos trabalhar em Osha se deve trazer consigo, e ler pelo menos 9 cânticos para os egguns. SAIBA MAIS.

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Escrito por Okanbi / Omo Aggayú
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Orichas - Ikú lobi ocha

Ewe dos Orichas

A Mãe Natureza proporciona ao homem uma infinidade de plantas com valores medicinais. A nossa flora e a natureza constituí uma fonte inesgotável de saúde e nossos ancestrais sempre souberam aproveitar desta riqueza, pois o uso das plantas medicinais existe desde o início dos tempos. As ervas medicinais vêm sendo cada vez mais adotadas por especialistas da área de saúde. A fitoterapia, ou seja, uso de medicamentos naturais, é uma prática comum que pode auxiliar os tratamentos convencionais e evitar os efeitos colaterais dos medicamentos mais fortes. 

 

Algumas considerações sobre as Folhas Sagradas (Ewé)

Ko si ewé kosi Orisa

 

"Sem folhas não há Orisha"

 

Desde os tempos antigos e remotos ouvimos dizer, sortilégios, e curas milagrosas com Ervas Sagradas, e temos referências de muitas em nossas vidas. As plantas medicinais que possamos ingerir, digerir ou sentir despertam diversas sensações, como o bem-estar, vibrações que passam pelos nossos músculos em cada sentido e choca com nosso corpo físico. Provêm da Energia da Natureza, a Energia do Oricha, a energia do Mundo.

Existem diversas folhas com diversas finalidades e combinações, nomes e considerações dos nomes, facto que muito impressiona a quem as manipulam dentro de Axé. Temos que ter muita consciência de como usá-las para que não sejamos apanhados de surpresa por energias que são invocadas quando a maceramos, quando colocamos o sumo da Erva em contacto com nosso corpo, quando a colhemos. Ewé, assunto este muito diversificado, muito delicado porque cada nação traz seu ritual, porém folha é para mesma finalidade, trazer energias boas e positivas, tirar energias ruins e maléficas em muitos casos, trazer resposta de algo se é necessário para o individuo que a usa.

Abaixo aqui deixo alguns dos meus conhecimentos em Ewé e que Osayin ouça sempre as nossas Aduras (Rezas):

AMENDOEIRA: os seus galhos são usados nos locais em que o homem exerce as suas atividades lucrativas. Na medicina caseira, os seus frutos são comestíveis, porém em grandes quantidades causam diarreia. Das sementes fabrica-se o óleo de amêndoas, muito usado para fazer sabonetes por ter efeitos emolientes, além de amaciar a pele.

amendoeira

AMOREIRA: Planta que armazena fluidos negativos e a solta ao entardecer, é usada pelos sacerdotes no culto a Egguns. Na medicina caseira, é usada para debelar as inflamações da boca e garganta.

amoreira

ARRUDA: Planta aromática usada nos rituais porque Exu a indica contra maus fluidos e olho-grande. As suas folhas miúdas são aplicadas no bori, banhos de limpeza ou descarrego, o que é fácil de perceber, pois se o ambiente estiver realmente carregado a arruda morre. Ela é também usada como amuleto para proteger do mau-olhado. Seu uso restringe-se à Umbanda.

arruda

AZEVINHO: Muito utilizada na magia branca ou negra, ela é empregada nos pactos com entidades. Não é usada na medicina popular.

azevinho

BARDANA: Aplicada nos banhos fortes, para livrar o sacerdote das ondas negativas e eguns. O povo utiliza a sua raiz cozida no tratamento de sarnas, tumores e doenças venéreas.

bardana

BELADONA: Nas cerimónias litúrgicas só tem emprego nos sacudimentos domiciliares ou de locais onde o homem exerça atividades lucrativas. Trabalhos feitos com os galhos desta planta também provocam grande poder de atracão. Pouco usada pelo povo devido ao alto princípio ativo que nela existe. Este princípio dilata a pupila e diminui as secreções sudorais, salivares, pancreáticas e lácteas.

beladona

BELDROEGA: Usada na purificação das pedras de Echú. O povo utiliza as suas folhas, socadas, para apressar cicatrizações de feridas.

beldroega

BRINCO-DE-PRINCESA: É planta sagrada de Exu. O seu uso se restringe a banhos fortes para proteger os filhos deste Orixá. Não possui uso popular.

brinco-de-princesa

CANA-DE-AÇÚCAR: As suas folhas secas e bagaços são usados em defumações para purificar o ambiente antes dos trabalhos ritualísticos, pois essa defumação destrói os eguns. Não possui uso na medicina caseira.

cana-de-açúcar

FOLHA DA FORTUNA: É empregada em todas as obrigações de cabeça, em banhos de limpeza ou descarrego e nos ebós de quaisquer filhos-de-santo. Na medicina caseira é consagrada por sua eficácia, curando cortes, acelerando a cura nas cicatrizações, contusões e escoriações, usando as folhas socadas sobre os ferimentos. O suco desta erva puro ou misturado ao leite, ameniza as consequências de tombos e quedas.

folha da fortuna

JUREMA PRETA: Tanto na Umbanda quanto no Candomblé, a Jurema Preta é usada nos banhos de descarrego e nos ebós de defesa. O povo a indica no combate a úlceras e cancros, usando o chá das cascas.

jurema preta

MAMÃO BRAVO: Planta utilizada nos banhos de limpeza descarrega e nos banhos fortes. Além de ser muito empregada nos ebós de defesa, sendo substituída de três em três dias, porque o Orixa exige que a erva esteja sempre nova. O povo a utiliza para curar feridas.

mamão bravo

MAMONA: As suas folhas servem como recipiente para arriar o ebó de Exu. As suas sementes socadas vão servir para purificar o otá de Exu. Não tem uso na medicina popular.

mamona

PALMEIRA AFRICANA: As suas folhas são aplicadas nos banhos de descarrego ou de limpeza. Não possui uso na medicina caseira.

palmeira africana

PAU-D’ALHO: Os galhos desta erva são utilizados nos sacudimentos domiciliares e em banhos fortes, feitos nas encruzilhadas, misturadas com aroeira, pinhão branco ou roxo. Na encruzilhada em que tomar o banho, arreie um mi-ami-ami, oferecido a Exú, de preferência em uma encruzilhada tranquila. Na medicina caseira ela é usada para exterminar abcessos e tumores. Usa-se socando bem as folhas e colocando-as sobre os tumores. O cozimento de suas folhas, em banhos quentes e demorados, é excelente para o reumatismo e hemorroidas.

pau de alho

URTIGA-BRANCA: É empregada nos banhos fortes, nos de descarrego e limpeza e nos ebós de defesa. Faz parte nos assentamentos. O povo a indica contra as hemorragias pulmonares e brônquicas.

urtiga branca

URTIGA VERMELHA: Participa em quase todas as preparações do ritual, pois entra nos banhos fortes, de descarrego e limpeza. É axé dos assentamentos de Exu e utilizada nos ebós de defesa. Esta planta socada e reduzida a pó, produz um pó benfazejo. O povo indica o cozimento das raízes e folhas em chá como diurético.

urtiga vermelha

 

Okanbi

Com a bênção de Meu Pai Aggayú e Yemanjá

Para qualquer outra questão sobre este texto, pode-nos escrever para o nosso correio eletrónico e darei mais explicações ou retirarei dúvidas.

 

 
 
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Escrito por Okanbi / Omo Aggayú
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Orichas - Ikú lobi ocha

Santeria é um culto?

Santeria é uma religião da nação Yoruba da Nigéria, em África Ocidental que veio através dos escravos que foram trazidos para Cuba para trabalhar nas plantações de açúcar. Esses escravos trouxeram as suas tradições espirituais com eles, e quando forçados pelos donos a converter-se ao catolicismo, engenhosamente esconderam os seus segredos religiosos dentro do imaginário dos Santos Católicos dos seus donos. Santeria, também conhecido como o "caminho dos Santos," é o termo aplicado aos escravos, que adoravam os seus Santos “primitivos” em detrimento dos Santos Católicos. 

 

A religião se conhece também como “La Regla de Ocha”, ou a religião lucumí. Varias religiões equivalentes se praticam no Brasil e, também em África ocidental. Hoje, o que antes era um termo pejorativo, é de uso comum que de tal forma a maioria dos profissionais cubanos se referem como Santeros, e para os Orishas (divindades da religião) como santos. Pessoas ignorantes, racistas, podiam considerar a Santeria como um culto, ou uma religião sincretista ou animista como uma maneira de diminuir a sua importância e dissipar a profundidade dos seus mistérios. No entanto a Santeria é uma das grandes religiões do mundo, comparável ao hinduísmo ou a religião do Egipto antigo.  

Têm uma teologia completa, uma completa mentalidade metafísica, e uma tradição ancestral elaborados e muitos rituais. Além disso, é uma religião de mistérios iniciados à semelhança dos célebres mistérios de Elêusis que se celebravam na Grécia da antiguidade, mas com a diferença que aqueles segredos que se perderam por ser tão bem guardados, os da Santeria sobreviveram por milénios relativamente com poucas mudanças. A maneira de aclarar, apesar do nome popular como é conhecida, a Santeria não consiste num culto a santos católicos.  

Estas eram só mascaras que assumiram os Orishas para poder sobreviver durante a escravatura nos corações dos seus devotos. Os Orishas são as divindades dos Yorubas, e a palavra “santo” é só utilizada devido a conveniência e a familiaridade. Outras tribos trouxeram as suas religiões, também. A tradição daomeana sobreviveu no que hoje é denominado "Arara" e as práticas do povo Bantu se tornou aquilo que é referido como "Palo", "Palo Monte", ou "Palo Mayombe." A quarta religião, da tribo Caravali, tornou-se numa sociedade de homens conhecida como Abakua.Matanzas fica a 90 km a leste de “La Habana”, e esta cidade é conhecida por ser a província de algumas das maiores plantações de açúcar em Cuba, assim como a população escrava era bastante grande. A cidade e a província são consideradas por muitos como a fonte ou berço, das tradições religiosas Afro-Cubanas. Muitos Santeros, conhecem Deus como Olorún (Dono dos Céus) ou como Olodumaré mas cada religião como tendo o seu tempo e lugar, eles estão adorando um só Deus, não importa o nome ou a linguagem utilizada nesse culto. 

TRADIÇÃO ORAL

Santeria, e todas as religiões afro-cubanas, são tradições orais. A medicina Yorubá tem os seus livros, geralmente copiados à mão a partir das notas escritas à mão dos mais velhos, mas a maioria aprende através da observação e da escuta durante as cerimónias. As comunidades religiosas são famílias muito unidas, geralmente do mesmo bairro. Crianças de 4 e 5 anos já conhecem os rudimentos dos rituais públicos e as palavras para as canções de louvor. Crianças que apresentam um talento, seja para cantar, tocar bateria, as ervas ou os rituais próprios, são tomadas sob a asa de um ancião que ensinou. Não há salas de aula, o ensino é feito mesmo nos rituais. Porque a religião tem sido tradicionalmente transmitida oralmente, as diferenças na prática, surgiram entre as famílias alargadas (conhecido como "ramas" ou ramos). Sendo assim vamos ver as diversas crenças.

ASHÉ

Ashe é a energia espiritual ou divina que é o pilar do universo. Cada coisa, animal e pessoa tem axé. Através do poder do seu axé, os seres humanos têm o potencial de mudar a si mesmo e o seu ambiente. Música, dança, ritual é aumentar o nível do axé ao nível da comunidade, às vezes ao ponto que os Orishas “montam” os seus sacerdotes para se juntarem à festa ou cerimónia (ver "Posse" em baixo). Ashe é também "bênção." É a bênção dos Santeros quando pedem em relação a cada coisa - água, ervas, animais, outras pessoas, os tambores, os Orishas em tudo que fazem. 

DEUS

Santeros acreditam em um Deus, Olodumare (também chamado de Olorun ou Olofi), o Criador do universo. Deus é tão grande, tão irreconhecível, que a comunicação direta não é possível. Os seres humanos podem comunicar com Deus através dos Orishas. 

ORISHAS

Os Orishas são a personificação de todos os aspetos da natureza (oceanos, rios, montanhas, trovão, chuva, ferro) e todos os atributos humanos (tais como inteligência, acarinhar, amor, sexualidade, agressividade, esperteza). Esta personificação engloba tanto o positivo e o negativo. Assim, o mar pode estar calmo ou violentamente agressivo e ambos são Yemaya. A chuva pode cair suavemente, ou em força durante um furacão, e ambos são Oya. A inteligência pode ser forte, ou fraco, mas ambos são aspetos de Obatalá. A agressividade pode ser manifestada pela defesa dos fracos ou o mal em matar alguém em um ajuste de raiva, mas ambos são aspetos de Ogun. O universo é um composto de todas as manifestações naturais dos Orishas, e os seres humanos são um composto de todos os seus traços pessoais. Os seres humanos geralmente apresentam mais traços da personalidade que outros, e assim as pessoas falam de um tipo intelectual como um "filho de Obatalá," ou uma mulher graciosa como uma "filha da Ochun". Finalmente, o objetivo da vida é estar em equilíbrio com todos os aspetos da personalidade e da natureza, para cumprir o seu destino pessoal. Os Santeros apelam a todos os Orishas de uma vez ou outra, para ajudá-los nesse processo. Os Santeros podem comunicar com os Orishas de duas formas: através do Ita ou consulta com os búzios, e através da posse física de uma pessoa pelo seu orixá.

ITÁ

Os Orishas falam através de 16 búzios jogados por alguém conhecedor deste método de adivinhação sofisticada. Cada vez que os búzios são lançados, dependendo do número que saiam marcam uma letra ou caminho (oddu). Cada letra tem algumas frases e histórias associadas com ele, existem 16 letras grandes e 246 combinações total. A primeira vez que os búzios são lançados, eles são lançados duas vezes, para marcar um oddu. Em seguida, eles são lançados várias vezes, para mergulhar mais profundamente no que os Orixás estão dizendo. Um Oloricha ou Santero podem saber especificamente os problemas enfrentados pela pessoa que solicita a consulta, e oferece conselhos sobre como resolver essas questões. As consultas poderão ser procuradas pelos iniciados e os não iniciados (aleyo). A consulta a mais importante que uma pessoa recebe na sua vida é a consulta com todos os Orixás principais, depois de uma iniciação em OCHA. Esta consulta diz à pessoa do passado, presente e futuro, e oferece orientação sobre como mudar a sua abordagem à vida, a fim de cumprir o destino da pessoa.

POSSE OU POSSESSÃO

Alguns iniciados dizem ser possuídos pelos seus Orixás. Estas pessoas são chamadas de "cavalos", porque o orixá vai monta-los, a fim de comparecer perante uma comunidade. A cerimónia, particularmente uma celebração ou uma iniciação, realmente não está completo até que um ou mais Orishas apareçam nos seus filhos. A sua presença é uma constatação de que as orações dos Santeros chegaram a Deus. Deus envia os Orishas para participarem na festa, para confirmar o que ocorreu, e se comunicar com os Santeros recolhidos e aleyos.

ANTEPASSADOS

Os antepassados, também chamados de Eguns, também desempenham um papel importante na cosmologia da Santeria. Toda a cerimónia começa com um aviso de orações aos antepassados, os dois anciãos da religião que já passou e os antepassados do indivíduo. Uma pessoa pode ter vários Eguns diferentes, não necessariamente parentes, que o acompanham e atuam como guias espirituais. Algumas pessoas também são possuídas pelos Eguns. Tal como acontece com os Orixás, o Egun vem para validar o que está acontecendo e se comunicar com o encontro. O Egun vem mais frequentemente durante as missas espiritual. Estas missas têm mais a ver com os cristãos do que com o Espiritismo Africano raízes da Santeria, e nem todos Santeros usá-los, ou pelo menos não regularmente. O Egun também vem durante as festas de celebrações dedicadas a eles. Estas celebrações tradicionalmente usam tanto o Cajon (uma caixa de madeira) ou guiro (atabaques e shekeres).

ADORAÇÃO

Santeria é uma religião muito pessoal. A principal forma de adoração é a comunicação do indivíduo com o Egun e os Orixás. A adoração comunitária tem lugar durante as celebrações e iniciações. A principal forma de oração nestas circunstâncias é cantar e dançar, acompanhado pelos tambores que funcionam como o "telefone" para os Orixás e Deus. As músicas geralmente elogiarem as virtudes de cada orixá ou comunicam ao Oricha que a cerimónia acaba de ter lugar, embora se os Orishas não vêm, as músicas podem tornar-se insultos e até mesmo insultuoso, como forma de incitá-los a participar da celebração.

EBBO OU ADIMÚ

A principal maneira dos Santeros pedirem a intercessão dos Orishas na solução de problemas de um indivíduo é através do ebbo ou sacrifício. O Ebbo pode envolver algo tão simples como uma vela, talvez algumas flores, frutas ou doces, ou pode mesmo envolver um sacrifício animal. O sangue dos animais é geralmente reservado para ocasiões muito importantes: o nascimento de novos iniciados ou a resolução de problemas graves. O conceito por trás do sacrifício é compartilhado por muitas religiões antigas. O sacrifício de animais é a parte mais incompreendida da Santeria, especialmente nos Estados Unidos. Santeros que têm o direito de usar a faca são treinados para fazer isso da forma mais humana possível. Exceto nos casos em que o animal está limpando a doença ou a morte da pessoa, partes dele são ritualmente preparados e apresentados para os Orixás e o restante é consumido pela comunidade como uma forma de compartilhar o axé do animal que deu sua vida para os Orixás.

INICIAÇÃO

Existem vários níveis de iniciação na religião. O primeiro nível consiste em receber um ou mais colares nas cores do Orishas. O segundo nível envolve a receber um ou mais Orishas, normalmente os guerreiros (Elegua, Ogun, Ochosi, Osun) ou Olokun (o orixá das profundezas do oceano). O terceiro nível envolve ter a cabeça lavada a um orixá particular. Esta cerimónia é geralmente um precursor para a receção de OCHA. O iniciado é "coroado" numa complicada série de cerimónias que envolvem toda uma comunidade de Santeros. A OCHA é presidida por um Oba, ou Oriate, ou seja, o sumo sacerdote da Santeria quem tem o conhecimento de todas as cerimónias e os segredos da religião. Ao terceiro dia após o início das cerimónias, o sacerdote recém-coroado, chamado de Iyawo, é apresentado ao “bata” (tambores sagrados) e a comunidade. O iniciado está vestido com uma roupa tradicional em cetim nas cores do Orixá coroação. Em seguida, o akpon (vocalista) canta um ciclo completo de músicas para o Orishas para Deus saber, através dos tambores sagrados, todas as cerimónias que o iniciado tenha sido submetido. Após a iniciação, o Iyawo deve vestir-se de branco durante um ano. Para os três primeiros meses, as mulheres usam um xale em público e homens usam calças compridas e mangas compridas. As refeições são comidas num tapete no chão. A cabeça do Iyawo é sempre coberta, para proteger a coroa delicada. Iyawos não deve beber ou ficar fora depois de escurecer. A vida Iyawo deve ser tão tranquila quanto possível. Em essência, o Iyawo é um bebé, e é tratado como tal pela comunidade, ele ou ela seja amada e acarinhados. 

 

Okanbi

Com a bênção de Meu Pai Aggayú e Yemanjá

Para qualquer outra questão sobre este texto, pode-nos escrever para o nosso correio eletrónico e darei mais explicações ou retirarei dúvidas.

 

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Escrito por Okanbi / Omo Aggayú
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Orichas - Ikú lobi ocha

Perguntas mais frequentes sobre a Santeria

Aqui podes encontrar um sistema de exemplos de perguntas mais frequentes colocadas sobre a Santeria. Caso não encontre alguma pergunta que gostaria de saber faça o favor de nos contactar para o nosso correio eletrónico e colocar a sua questão. O mais breve possível será contactado.

 

A todos que o façam desde já o nosso muito Obrigada

Do Grupo Anastácia

  

O QUE É A SANTERIA?


Santeria (literalmente, caminhos dos santos - os termos preferidos entre praticantes incluem Lukumi e Regla de Ocha) é um conjunto de sistemas religiosos relacionados que funde crenças católicas com a religião tradicional Iorubá, praticada por escravos e seus descendentes em Cuba, no Brasil (onde o candomblé apresenta semelhanças com a santeria), em Porto Rico, na República Dominicana, Venezuela, no Panamá e em centros de população latino-americana nos Estados Unidos como Florida, Nova Iorque, e Califórnia. “Santeria” significa os “caminhos dos santos”, originalmente um termo pejorativo aplicado pelos espanhóis para ridicularizar a devoção excessiva dos seguidores aos santos e à negligência de Deus. Têm uma teologia completa, uma completa tecnologia metafísica, e uma tradição ancestral de elaborados e coloridos rituais. Ademais de isto, é uma religião de mistérios iniciados a semelhança dos célebres mistérios de Eleusis que se celebravam na Grécia da antiguidade, mas que a diferencia de aqueles segredos que se perderam por ser tão bem guardados, sobreviveram por milénios relativamente com poucas mudanças. A maneira de aclarar, apesar do nome popular como é conhecida, a Santeria não consiste num culto a santos católicos. Estas eram só mascaras que assumiram os Orishas para poder sobreviver durante a escravatura no corações dos seus devotos. Os Orishas são as divindades dos Yorubas, e a palavra “santo” é só utilizada devido a conveniência e a familiaridade. Os Santeiros conhecem Deus como Olorún (Dono dos Céus) ou como Olodumaré. Existe um número indefinido de Orishas, ou de divindades, que ajudam Olorún a distribuir o aché a toda a criação, e são vistos como aspetos de Olorún. Aché se traduz como vitalidade, poder, graça, ou bênção. 

QUEM É OLODDUMARÉ?


Para os ancestrais Yorubas e, para nós seus descendentes, a existência de Oloddumare (Ser Supremo) é tão real, como a própria de nós como povo. É muito raro encontrar entre nós os descendentes dos Yorubas alguém que não acredita em Oloddumare. Em outras palavras, eu que estou tratando de decidir, que para os afro-cubanos a crença de um Ser Supremo é Lei. De isto não temos a menor dúvida, sendo o Criador de todo o nosso universo e dos seres que vivem em este universo. Criador dos Céus e terra, homens e mulheres, que também criaram todas as Divindades, espirituais, dos quais são os funcionários, intermediários entre o homem e Oloddumare é a “Divindade” suprema de nós, ele é a origem de todas as coisas do céu e da terra, é o criador que existe desde os princípios dos tempos, o autor do tempo, do dia e da noite.  Olodumaré é um Deus imparcial que controla o destino de todos os homens. Ė comum que os Orichas castiguem os homens quando estes rompem as leis, quando rompem os rituais; sem embaraço com Olodumaré julga os homens de acordo com os sentimentos íntimos de estes, com a sua personalidade e com o seu carácter, pois ele tudo sabe e tudo vê de uma pessoa, inclusivamente os seus pensamentos íntimos. Ele é o único que pode julgar a moralidade de uma pessoa, e de acordo com isto que no final da nossa vida, iremos receber o que merecemos na vida terrena.  Sendo como é natural o juiz dos Orichas é regente peral no reino dos Zeus e da terra, nada se pode fazer contra a vontade de Olodumaré, ele é o Omnipotente do Universo; este se move por ele, controla os elementos e a vida humana de este planeta em qual vivemos.   

O QUE É UM SANTEIRO?


A função dos SACERDOTES da nossa religião é atuar como intermediários entre os homens e os Orichas, e por tanto são considerados adivinhos. Esta função pode ser exercida mesmo por  Santeiros ou Babalawos, e existem muitas outras funções que eles podem exercer como por exemplo: ser médicos, adivinhos, curandeiros, encantadores, conselheiros espirituais e materiais e em si tudo o que esta relacionado com a vida quotidiana dos humanos.  Eu sou o primeiro que entende que se têm que ser um bom ser humano, um bom sacerdote, e quando digo bom, isto abarca uns conceitos mais elevados, hoje já esta extinguidos em muita gente; “Ser um bom ser humano significa ter moral, princípios, ser benévolo, respeitoso até consigo mesmo. A arrogância coisa muito pré estabelecida na maioria dos Santeiros e Babalawos de nossos dias” é a vaidade, são dos conceitos negativos que a maioria de nossos praticantes devem corrigir, para poder logo tratar de impormos suas ideias. Recorda-se que o pior dos defeitos que possa ter num homem é a “Vaidade”. Para decidir que se é um expert nesta matéria, necessita de muita sabedoria e aprendizagem o qual não se adquire em curto tempo, este é um trabalho de muitos anos de aprendizagem e de prática junto as pessoas qualificadas nesta matéria. Hoje em dia a maioria das pessoas, chamadas experts nesta matéria, recopiaram os seus dados por meios de livros, os quais não tem uma essência e muito menos sabem os autores de estes “livros” o que é um dos nossos “oráculos”. 


O QUE É UM EBBÓ OU ADDIMU?

Os ebós ou addimú são oferendas feitas para Orixás, Odú, Eguns e outras divindades para diversas finalidades, sejam elas feitas para apaziguar algum problema, sejam feitas em forma de agradecimento de alguma graça atingida, por alcançar algum objetivo ou simplesmente como forma de agradar as divindades que ora estão sendo adoradas.  O princípio da Santeria se baseia no ebó, nas oferendas propiciatórias obtendo a redistribuição do Axé e mantendo seu equilíbrio vital.  Através da hierárquica, todo ebó a ser ofertado, para que o Oricha tome conhecimento, devemos invocar a energia de outros Oricha, que tem o papel específico de servirem de interligação entre nós e as divindades, sendo que sem a aceitação desses, os Orixá os quais estamos ofertando os ebós não saberão de sua existência. Gostaríamos de salientar que ao fazer tais oferendas ou Ebós, se faz necessária a presença ou orientação de um Santeiro (ou zelador de Santo como se diz no Brasil) para que seja colocado o Axé necessário para cada ato. Existem porém alguns ebós que eles não são necessários. Aqui apresento alguns ebós para os curiosos verem e saberem, mas deixo desde já o aviso que nenhum deles funciona sem a correta intervenção de um Santeiro experiente. 

O QUE É UMA SESSÃO ESPIRITUAL? 


A sessão espiritual é parte de quem desenvolve a regra de Ocha ou o Palo, é como a parte que esta no meio entre os santos e a nganga. Não tendo as três que relacionar-se entre si. É um centro de poder donde coincide diferentes espíritos servidores de distintos funções e interesses, cujos poderes podem ser evocados por um devoto em benefício seu, de sua família, ou de aqueles a quem deseje realizar uma obra de caridade. Se compõem de nove copos com agua, um copo de cristal transparente com agua, um rosário e uma cruz ou crucifixo, preferencialmente de madeira (estes integram o Cristianismo). Outros elementos são: flores; nas ocasiões que se indicam, uma vela cuja cor será branco ou outras cores segundo se indique. Também de acordo a diferentes missas de investigação são realizadas se agregam imagens ou objetos, para que um morto em especial vibre no trabalho e se identifique com ele. Existem diferentes tipos de missas:  

 

DESENVOLVIMENTO: é o trabalho que se realiza com pessoas que começam o caminho do espiritismo, com elas se pratica e desenvolve, e se instrui de como se realizam guiando, em sua aprendizagem, a forma de trabalhar, a forma de comunicação com os espíritos e a forma mais adequada para comunicar-se com os seus próprios guias. Estas missas são dirigidas por um espírita com conhecimento do trabalho espírita, as pessoas que integram este tipo de missa, são pessoas que  acontecem feitos raros internos ou externos que escapa a lógica, ou hão logrado sem querer uma comunicação com os espíritos. 

PORQUE SE UTILIZAM PEDRAS NUM SANTO? 


Os Africanos acreditavam que o Santo quando caminhava na Terra, ia ao céu e depois regressava a esta em forma de chuva. Que essa água caia nos rios e estes se convertiam em pedras que tomavam as cores segundo os Orichas (algumas brancas, outras negras, outras amarelas e rosas e assim sucessivamente). Eles sempre veneram os rios porque ali estavam a representação dos Orichas Africanos. Se o leitor conhece um pouco da geografia do continente africano, se dará em conta que onde está a Nigéria há 16 rios, e o principal leva o nome de Changó e os outros 15 desaguam neste. Tais pedras se recolhiam e uma por uma se ia perguntando com um coco se tinham algum espírito de algum Santo em particular. Se com o coco decidiam que sim, então lhes preparavam e lavavam com omiero de Osaín.  Por isso, Osaín é o Deus mais importante; é ele a vida da Terra e é o Deus curandeiro. Osaín têm o conhecimento de todos os Ewes (ervas), os que curam e matam, tem uma faculdade muito rara pois com ele salva as pessoas da mesma morte ou as curas de uma enfermidade má. Depois, se faz o sacrifício dos animais. O sangue dos animais fortalece e dá força a esse espírito para que se desenvolva e cresça, e que para o Santo possa falar aos seus filhos.  

O QUE É O PALO MONTE?


O Palo Monte é oriundo dos povos Bantús, chamados Congos, estes procedem da parte sudeste de África, uma das regiões mais extensas do continente africano. Esta Regra foi o resultado da transculturação dos credos bantús, em ela existiram distintos grupos étnicos com diferentes graus de evolução e níveis culturais. Pelo ano 1700 saíram de África grupos de tribos Nganga e  chegaram a Cuba com o Lucumi, com o Abakua, com o Arara, com o Palo Monte Mayombe,  Briyumba ou Brillumba, Malongo, Kimbisa. Estas Regras em África eram e são puras, mas em Cuba com a iniciação do crioulo surgiram outras variantes e se cruzaram e nasceu a Kimbiza que significa Cruzado é certo que daí nasceu o Palo Monte Mayombe Kimbiza. Do kimbiza é a forma misturada de praticar a religião, ao que se chama Palo Cruzado, que rapidamente se estendeu e superou as outras, e assim se formou o arroz com manga pois na nossa crença de Palo hoje em dia há muitíssimas Casas e Linhagens com diferentes trajetórias e sistemas de crenças, assim que a Regra Kimbisa é a mais influenciada por todos os sistemas da crença encontrados em Cuba. O sistema de Kimbisa incorpora em sua fundação as práticas de Palo Monte junto com, crença do Espiritualismo, do cristianismo, de Abakua, de Lukumi, Yoruba e outras muitas mais.

O QUE SÃO OS EGGUNS? 


Os mortos (ikús) os espíritos que nos rodeiam (egguns) devem ser atendidos, com o mesmo respeito tanto como aos SANTOS (Orishas). A reverência aos antepassados é um dos pilares das religiões africanas. Na religião Yorubá o “morto pariu o santo” (ikú lobi ocha) e antes de invocar e pedir permissão (moyugbar) e saudar os Orishas há que invocar os mortos. Isto se deve a que todos os Orishas foram seres vivos originalmente como os santos católicos e depois de mortos foram dados o título de santo pela vida que levaram aqui na terra, tal e o caso do Orisha Changó que foi quarto rei de Oyó (ile Ife) na atual Nigéria. Os Egguns comem antes que Elegguá e separados dos Orishas. Em determinadas cerimonias lhes oferecem uma vela (ataná), coco (obi) em nove pedacitos que é a marca do morto, agua fresca (omi tutu), aguardente (otí), café (omi bona), tabaco (achá), pimenta da guine (ataré), e se utiliza a cascarilha (efún). Esta oferenda se situa no piso fora da casa ou num canto interior no caso de não existir pátio e se dispõe dentro de um círculo ou retângulo (atena) desenhado com cascarilha. A cerimónia se inicia com a moyugba correspondente e a declaração do sentido da oferenda. Isto se pode realizar mesmo com coco fresco aos mortos o qual se faz em pequenos pedaços que se atiram no interior da figura traçada no chão dizendo “alfaba iku, alafaba ano............”

O QUE PROCURA O INICIADO NA RELIGIÃO YORUBA?


Uma orientação dos passos a seguir em sua vida, a direção e a sua missão escolhida pela sua Ori (cabeça). Um sentido de pertencer a uma religião onde Olodumaré te vai aceitar tal como és, que lhes dará o conselho para evoluir tanto no plano físico como o espiritual, tal como faria uma mãe, que ainda conhecendo os defeitos e virtudes de um filho o ama. Isto poderia ser a razão que mais pessoas cada dia estão sendo iniciadas em nossa religião. É por esta razão que podemos ver médicos, advogados, ama de casas, militares etc. Oferecemos uma resposta individual partindo da premissa que cada pessoa é um ente a parte e por isso não tem, um patrão a seguir por todos, já que cada um tem um caminho a seguir muito distinto do outro.  Isto é assim motivado pois todos temos um caminho a seguir que difere entre nós. Sendo cada um distinto do outro, é impossível que as regras e as leis podem ser as mesmas. Muitas vezes procuram essa orientação sobre o próximo passo a seguir, que o poderíamos comparar como um caminho, em que devemos saber até onde vamos e com que mentalidade deve guiar para não ter tropeços. O Orisha ou anjo da guarda tutelar, viria a ser o amortecedor, para que tenhamos menos obstáculos nesta vida. Esse Orisha também vai ser o intermediário perante Deus, de nossas andanças no mundo. É quem vai dar contas perante Olodumaré por nossas obras boas ou más e quem vai interceder e para que as sanções sejam menores. O iniciado terá de saber o que espera do Orisha, é que ele não ira fazer tudo por si, pois caberá a si fazer esse caminho. Não há crime sem castigo. Há quem crê que podem fazer tudo o que desejam, porque acham que o Orisha lhes vai permitir uma série de coisas. Se entende que o Orisha esta aqui para resolver ações mal feitas, mas nesta religião não é assim. Como dizem os mayomberos desta nossa religião o Orisha é lento e vagaroso como um elefante, o que quer dizer que lentamente vai esperando o momento para ensinar o nosso erro. Um iniciado pode procurar também lucro económico, o qual é um erro, já que esse não é a base da nossa religião, e sim pelo contrário fala de ser desprendidos quando alguém chega a nós com uma necessidade. Esta religião não dá riquezas. É uma religião do mundo, já que em este é onde vivemos, e porque tanto temos que aprender a viver em ele.

QUAIS AS FUNÇÕES E OS DEVERES DA OYUGBONA?


O Iyawo vai ao pé do anjo da guarda da pessoa escolhida como Oyugbona, com o prato, dois cocos ou dois Obi Kola inteiros, 2 velas e o direito (dinheiro), e perguntar se a pessoa pode ser a sua Oyugbona para o futuro Iyawo, seja numa cerimónia de consagração de Ifa ou Osha (Se esta for a Regra da Casa). Numa cerimónia de colares ou de iniciação a sua função é de assistir a madrinha ou padrinho nas cerimónias. Se é uma iniciação deve ir com o Iyawo fazer o registro de entrada e marcar o ebbó, através de Ochá. É chamada para verificar os fundamentos do Iyawo, e deve ter em mente as coisas que o Iyawo vai necessitar no dia do rio e os detalhes da cerimónia. Deve deixar tudo preparado para o dia da iniciação, já que é chamada para facilitar tudo ao Oriaté em Osha e ao Awo que dirige nas cerimonias do dia seguinte (o dia da iniciação). Tem que fazer as rogações ao Iyawo, assistindo todos os dias que esteja na esteira. Deve estar no quarto de iniciação, já que esta será a pessoa que fará todo o trabalho e de buscar tudo o que faça falta no quarto (Bodun). Tem que estar atenta de tudo o que suceda no quarto, e que não falte nenhum detalhe, que possa escapar a outros. É a encarregada de dar banho e vestir o Iyawo e de trazer a sua comida. Deve estar atenta ao que possa falta no dia do Ita. É a pessoa encarregada de levar ao Iyawo a praça e ao mercado em Osha. De aqui em diante é quem dará obi aos Osishas do Iyawo e quem rogará a cabeça, a menos que o padrinho decida outra coisa. Acomoda aos Orishas para o aniversário do afilhado. Pode delegar aos outros, funções triviais, mas as principais que tocam, não as pode delegar, para isso que é Oyugbona. Em muitas casas, depois que se toca ao anjo da guarda do padrinho, é regra tocar ao da Oyugbona. Finalmente a Oyugbona é uma pessoa muito importante, já que está tem a responsabilidade de verificar o que falta numa cerimónia e dar assistência ao Iyawo em muitos aspetos. 

QUEM É A OYUGBONA?


A Oyugbona é a segunda pessoa que manda numa iniciação ou cerimonia. Ao terminar é a pessoa que assiste ao Oriaté. Também o significado literal em Yoruba é: Ela que vigia o caminho. 

O QUE SÃO OS BÚZIOS?


São os búzios abertos que dão caminho e solução aos problemas do consulente, através de receitas de banhos, oferendas ou ebós (limpeza corporal de energia negativa).  O Santeiro (pai de santo) que interpreta a leitura de búzios (o que lê os resultados do Odu), deve estar de corpo limpo, purificado com banhos, se abster de carnes e bebidas alcoólicas, assim como de relações sexuais, para estar apto a se comunicar com os deuses Orichas e assim, melhor interpretar e traduzir as receitas e conselhos aos seus filhos e pessoas que buscam o socorro e o alivio para suas dores morais e físicas.

QUEM É ELLEGUÁ?


É o Orisha que tem as chaves do destino.  É o dono dos caminhos e mensageiro de Olofi, têm o privilégio de ser o primeiro em tudo. Muito se fala de Eleggwá que é o senhor e dono de todas as oportunidades da nossa vida, e que é ele que abre e fecha todas as portas dos nossos desígnios e também o encarregado de fazer cumprir as leis sagradas de nossa Mãe Terra. Também temos em mente que será Eleggwá um Oricha sendo o dono de todos os caminhos e portas deste mundo, é ele o fiel depositário do Ashe da nossa vida. Ellegua se veste com as cores vermelho e negro, ou branco e negro e codificam a sua natureza contraditória do seu ser. O rato é uma das imagens que representa Ellegua não sua mais infinita procura de caminhos, que sempre os encontra. Em particular, Elegbara aparece na encruzilhada dos humanos e do divino, pois ele é o Oricha infantil e o mensageiro entre os dois mundos (a terra e o céu). Têm uma relação boa com todos os Orichas, mas a mesma é muito mais estreita com Changó e Orumila. Nada neste mundo se pode fazer sem a sua permissão, pois ele é sempre o primeiro a comer. Por isso Elegua sempre é chamado em primeiro lugar quando se faz um sacrifício, pois ELE é quem abre as portas entre os dois mundos e abre as portas e os caminhos na nossa vida. Elegguá se reconhece a si mesmo pelos números 3 e 21, e ele é a nossa sorte e destino, com ELE tudo se alcança, e sem ELE nada se consegue. Quando pedimos um conselho a Eleggwá e ele nos fala e nos dá os seus conselhos, esses conselhos, temos a segurança que é o nosso espírito interior quem nos fala através dos Oráculos.

QUANTOS ORISHAS EXISTEM NA RELIGIÃO YORUBA?


201 divindades são as pertencentes ao panteão Yoruba, mas na América só perduram até hoje, aproximadamente uns trinta Orishas dadas as características do ritual.

O QUE É O ORÁCULO DE IFÁ?


Oráculo supremo mediante o qual o Babalawo se comunica com Orula e com as divindades do panteão Yoruba, personifica a sabedoria e a possibilidade de influir sobre o destino.  Utilizam a cadeia ékuele e o tabuleiro de ifá com ikines.

QUEM SÃO OS BÚZIOS NA RELIGIÃO YORUBA?


Os Cauris são parte do Orisha, transmitem a profecia personalizada através do “Diloggún” e os seus “Oddus”. É um sistema numérico interligados a pataki que estabelece uma relação entre os feitos narrados e os problemas que podem ter a pessoa que se consulta.

O QUE É UM BABALAWO?


A Regra de Osha ou Santeria está interligada com Orúnmila ou Ifá.  Os babalawos têm uma consagração adicional de Orúnmila. Entregam os devotos “Mão de Orula” ( Ico-fá (mulher), Awo-faca (homem) de Orula ) e diversas divindades, mas não consagram “Osha” aos seus afilhados.  Se reúnem em Concilio com a finalidade de apresentar as previsões de Orula que se cumprem inexoravelmente.

QUEM SÃO OS ORICHAS?


São divindades ou energias superiores que regem os nossos destinos, transcendem as nossas faculdades sensoriais, e são intermediários de Deus.

POR QUE ESSES NOMES TÃO ESTRANHOS PARA DENOMINAR DEUS E AS FORÇAS SUPERIORES? 


OLODDUMARE está composto no dialeto Yoruba por: OLO eterno DDU tempo MARE criar estabilidade este é Deus. OLOFI significa OLO extensão FI espaço de este mundo. OLORUN no continente africano há pessoas que não conhecem, e nem adoram outro Deus que não seja o Sol como ele, e se chama LORUN.

O QUE SIGNIFICA A EXPRESSÃO OLODDUMARE - OLOFIN- OLORUN? 


Oloddumare é a criação = Deus Todo poderoso Olofin e Olorun é o Sol, e são tendências diferentes da divindade que se integram em uma somente entidade. Penso que para chegar a entender todo o que é relacionado com Oloddumare se têm que analisar todos os nomes correlativos de esta “Divindade”. Os nomes que vamos analisar deixam uma ideia muito clara de quem é “Oloddumare”, eles marcam uma definida intenção dos conceitos do “Ser Supremo” (Oloddumare).

 

(1) Oloddumare: É a Origem de outra palavra, não é fácil determiná-la mas entre os maiores de nossa crença confirmam que este nome esta enraizado em uma que têm grandeza, magistralidade eterna e qual o homem pode depender em o todo momento. 

(2) Olorun: Este nome se explica por si mesmo: significa o dono de Orun (os céus de cima) o Sr. que é dono de todos os céus (universo).

(3) Eledaá: Significa o “Criador”. O nome diz e sugere que o “Ser Supremo” foi e é o responsável de toda a criação. Ele foi o que existiu e é a fonte de todas as coisas. 

(4) Alaaee: Esta vocábulo implica o “ser que sempre está vivo”, isto é concebido por os maiores ancestrais de nossa crença que ele “espírito que sempre existiu”. Em outras palavras, o “Ser Supremo” nunca morre. Esta é a razão por que os antigos sacerdotes diziam: A ki Igbo Iku” (nunca havemos ouvido da morte de Oloddumare).

(5) Elemii: Ele que é dono da vida. Este nome aplicado ao “Ser Supremo” sugere que todas as criaturas, animais, plantas lhe devem o alento da vida a Olodumaré. Em outras palavras sem a permissão de Ele nada tira a vida. Quando o dono da vida retirar o seu alento de os seres vivos, eles morrerem e então, é Ele quem planifica o futuro dos espíritos de eles. Os maiores de nossa crença em tempos passados o agregaram a ele que antes disse: (Bi Elemii ko ka ba, emi eo se eei tabi eeini)  “Se o sono da vida não nos deixa já e o haré isto ou aquilo”. 

(6) Olojo Oni: É dono e o controlador de este dia, e o que se passa em este dia, chama-lo o dono da vida ou controlador do dia, reflete a dependência que os seres humanos têm em Olodumaré, e é o supremo sobre todas as coisas. Dos estudos realizados de todos estes nomes, chegamos a conclusão que “Olodumaré” foi concebido por os antigos como o criador dos Céus e da terra, aquele que têm eterna magistralidade, e goza de eterna grandeza. Ele que têm um tabernáculo nos céus com os homens. Ele é o senhor que determina o destino dos humanos, “Ele” não perde o contacto connosco os humanos porque nós somos fragmentos de Olodumaré cada um individualizados e que queremos chegar a uma verdadeira união, teremos que formar uma unidade. 

 

“Ache Olorun tobi” (a obra de Deus é grande). Olodumare é único. 

EM QUE SE FUNDAMENTA A SUA CRENÇA RELIGIOSA?


Doutrina africana animista pela sua crença que afirma que todo o ser natural está vivificada por um espírito, e é uma religião monoteísta que reconhece um só Deus Criador de tudo o existente e que possuem práticas politeístas. A nossa crença baseia fundamentalmente na família e a sua hierarquia agarrada as leis dos nossos antepassados. Religião que nos aproxima tanto a vida como a morte, e que nos leva a unir o mundo material como o mundo espiritual. Definimos como uma cultura aberta ao que de bom existe noutras religiões e recetiva aos fundamentos e obrigações perante a sociedade. Acreditamos em guias ou Orichas que nos ajudam a libertar os nossos bloqueios, que surge na nossa caminhada da vida. Obrigações e oferendas fazem parte de uma necessidade evolutiva que nos leva a ter mais perto o ashé (energia) da natureza em que no seu equilíbrio levará o ser humano a ser mais feliz e a ter a paz necessária consigo e os outros.

O QUE SÃO OS COLARES?


Os colares são de varias cores e correspondem e simbolizam cada Oricha. É óbvio que os colares são resguardados e que vitalizam-se depois de haver passado pela cerimónia de receber os colares, que é o segundo passo do Santeiro. A imposição dos colares é uma forma de nos identificar com o nosso Oricha e de dar inicio a um processo de iniciação na Santeria. Esta cerimónia se prepara quando coincide com uma cerimónia de Santo. A imposição dos colares é tão complicada que quase nunca se prepara com o só propósito de receber colares. Esta cerimónia se prepara quando coincide com uma cerimonia de Santo. O Padrinho coordena a cerimonia dos colares com a cerimonia de alguém que esta preparando para receber o Santo. Desta forma, as elaboradas preparações se aproveitam para as cerimónias. Esta cerimónia começa depois que o Padrinho através dos búzios, que servem de oráculos a esta religião, determina qual o Oricha é o protetor do iniciado. (Este Oricha em terminologia corresponde o Anjo da Guarda de cada um, sendo o Oricha do qual é o filho). 

A cerimónia se desenrola num quarto fechado onde se encontram vários Santeiros e específicos atributos da cerimónia. Cada passo é premeditado e cada artigo do quarto tem a sua razão de ser. Até o vestuário de cada pessoa é cuidado de acordo com as muitas regras desta religião. Na cerimónia, alem de preparar os colares, se escolhem as ervas e sacrifícios de animais e também se despoja do iniciado de todas as más influencias. Este despojo se caracteriza com o ato de cortar a roupa que tem posta pois ao receber os colares e banhando com as águas preparadas com vários ingredientes que se ocultam zelosamente pelos Santeiros.   

QUEM SÃO OS YORUBÁS?


Os Yorubas são os integrantes de um povo africano, situado a sudoeste da Nigéria e na região limítrofe com a atual República de Benin, Togo e Gana, na Africa ocidental. Os iorubás ou iorubas (em iorubá: Yorùbá), também conhecidos como ou yorubá (iorubá) ou yoruba, são um dos maiores grupos étno-linguístico ou grupo étnico na África Ocidental, composto por 30 milhões de pessoas em toda a região. Constituem o segundo maior grupo étnico na Nigéria, com aproximadamente 21% da sua população total.

A maioria dos iorubás fala a língua iorubá (iorubá: èdèe Yorùbá ou èdè). Vivem em grande parte no sudoeste do país; também há comunidades de iorubás significativas no Benin, Togo, Serra Leoa, Cuba e Brasil. Os iorubás são o principal grupo étnico nos estados de Ekiti, Kwara, Lagos, Ogun, Ongo, Osun, e Oyo. Um número considerável de iorubas vive na República do Benin, ainda podendo ser encontradas pequenas comunidades no campo, em Togo, Serra Leoa, Brasil e Cuba. Bem como tendo acesso ao mar, eles compartilham fronteiras com os Borgu (variadamente chamados Bariba e Borgawa) no noroeste, os Nupe (que eles chamam muitas vezes, "Tapa") e os Ebira no norte, os Edo que também são conhecidos como Bini ou povo benin (não-relacionado com o povo da República do Benin), e os Ẹsan e Afemai para o sudeste. Os Igala e outros grupos relacionados, encontram-se no nordeste, e os Egun, Fon, e outros povos de língua Gbe no sudoeste. Embora a maioria dos iorubás vivam no oeste da Nigéria, há também importantes comunidades yorubás indígenas na República do Benin, Gana e Togo. A maioria dos iorubás é cristã, com os ramos locais das igrejas Anglicana, Católica, Pentecostal, Metodista, e nativas de que são adeptos. O islamismo inclui aproximadamente um quarto da população iorubá, com a tradicional religião iorubá respondendo pelo resto. Os iorubas têm uma história urbana que data de 500 d.C. As principais cidades iorubás são Lagos, Ibadan, Abeokuta, Akure, Ilorin, Ogbomoso, Ondo, Ota, Shagamu, Iseyin, Osogbo, Ilesha, Oyo e Ilé-Ifè.

O QUE ESPERA UM AFILHADO DE UM PADRINHO?


Que saiba desta religião, a menos que a pessoa nos tenha dito abertamente que não sabe muito desta religião. Que nos ajude a resolver os problemas que nos surgem. Que nos respeite como pessoas e que entenda que não somos a sua propriedade. Que nos ensine sobre a sua casa ou rama, para aprender como se fazem as coisas. Que seja o suficientemente maduro e honesto para dizer que não sabe algo. Que nos permita aprender de outros se nos apresenta a oportunidade. Que tenha a resposta para todas as nossas perguntas. Que não se meta em nossas questões a menos que o peçamos.

QUE ESPERA UM PADRINHO DE UM AFILHADO?


Um padrinho ou madrinha, espera que sejamos muito religiosos antes de tudo e respeitosos pelo seu anjo da guarda. Espera que sejamos obedientes e discretos, sobre tudo em esse primeiro ano de iniciação, que é tão importante. O afilhado representa o seu padrinho e essa casa religiosa, para o bom ou o mau. Deve haver uma comunicação efetiva entre ambos, já que esta relação é por toda a vida. O afilhado deve aprender a conhecer os distintos estados de ânimo dos seus padrinhos, já que isso garanta uma relação cordial e duradoura.  O afilhado ou afilhada deve manter em total segredo de tudo o que o padrinho fale a outro afilhado no dia do Ita. O afilhado deve aprender e ver a forma de assistir as cerimónias em casa do seu padrinho sempre e quando o convidem. É importante que o afilhado recorde sempre os aniversários dos seus padrinhos. O afilhado deve recordar que há outros afilhados em casa e que deve evitar a todo custo, criar ciúmes entre os seus abures (irmãos) religiosos.  De igual forma devemos mencionar as coisas que não se devem esperar de um afilhado, e que um afilhado não tem que viver ajudando o seu padrinho economicamente, não tem que fazer agradecimentos constantes. Também tem que viver fazendo as tarefas domésticas, e há de recordar que esta religião, não é uma escravatura. De um afilhado se deve esperar o mesmo que um filho, e os filhos nem sempre estão de acordo com os pais, e tomam as suas próprias determinações. 

COMO SE ENTRA NA RELIGIÃO YORUBA?


Seja por uma revelação (sonhos, mensagens, etc.), ou através do oráculo de Ifa ou Osha, ou por desejo próprio de iniciar-se na religião.  A maioria parte das vezes é pelo decreto do oráculo de Ocha. Estas são algumas das hipóteses que existem para que um crente encontra-se com a sua verdadeira natureza espiritual. O destino é uma das possibilidades que existem no caminho dos crentes e uma forma mais "natural" de nos encontramos com Olodumaré.

O QUE É UM INICIADO OU UM IYAWO?


Aquele que se inicia em Ocha ou Ifa, no seu primeiro ano de iniciado (Ocha) o conhecemos como por Iyawo.  Em alguns casos somente durante três meses em algumas casas, mas o normal é um ano, e só depois de ter completado o seu término o conhecemos como Babalosha ou Iyalosha no caso de Osha e awo ou Babalawo no caso de Ifa.

PORQUE SE USA O COCO NA SANTARIA?


O coco é usado tanto pelo Santeiro que também pelo Babalawo, e com eles perguntamos aos Orichas o que é que desejam.  O coco também se pode usar alguém que não tenha feito santo mas que já tenha os seus colares ou os seus guerreiros.  O coco se conhece como Obi e é um dos Orichas menos conhecidos. O oráculo do coco se acompanha de cinco letras que são Alafi, Itagua, Elleife, Ocana Sordi e Ocana Oyekun.

O coco é usado tanto pelo Santero que também pelo Babalawo, e com eles perguntamos aos Orichas o que é que desejam. O coco também se pode usar alguém que não tenha feito santo mas que já tenha os seus colares ou os seus guerreiros. O coco se conhece como Obi e é um dos Orichas menos conhecidos. O oráculo do coco se acompanha de cinco letras que são Alafi, Itagua, Elleife, Ocana Sordi e Ocana Oyekun. Para preparar o coco para a adivinhação se têm que partir um coco seco e de ali retirar os quatro pedaços que se vão usar, e se recomenda usar os pedaços grandes. Quando estamos preparados para atirar os cocos se coloca em frente do Oricha ao qual se vai perguntar. Deve-se refrescar o coco com água, se reza ao santo e tirar-se do coco algumas lascas depende do numero do Oricha.

 

 

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Escrito por Okanbi / Omo Aggayú
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Orichas - Ikú lobi ocha

Oddus de Ocha

Quando falamos dos Oddus de Ocha na Santeria, falamos principalmente de uma das formas de comunicação entre os Orichas e o ser humano. Acredita-se que Olorun, o Omnipotente, Deus no dialeto africano, criou os quatros elementos: a terra, a água, o fogo e o ar. Destes foram gerados os elementos da natureza, que geraram todas as coisas vivas sobre o planeta. Foram atribuídos a cada um destes elementos quatro Odus, ou seja, quatro signos interligados dos destinos:

 

Terra

Odus: Iroso, Merinla, Marunla e Obbará.

Representam o caminho da tranquilidade e da riqueza.

Água

Odus: Eyioco, Osa, Eyeunle e Oché.

Representam o caminho da dúvida ao triunfo.

Ar

Odus: Ojuani, Offun, Ogundá e Aláfia.

Representam o caminho da indecisão até a paz.

Fogo

Odus: Okana, Odi, Metanlá e Meridiloggun.

Representam o caminho da insubordinação até a guerra.

 

Diz-se ainda que, nos primórdios dos tempos, não existia separação entre o céu e a terra (orum) e que havia uma convivência íntima entre os orichas e os seres humanos; todos podiam ir ao órum (céu) e voltar quando desejassem. Porém um certo dia, o homem desonrou este compromisso com ólorum (Deus), pecou contra o supremo ao tocar o que não podia ser tocado ou comer o que não podia ser comido. 

E assim, o mesmo dividiu o céu e a terra. O privilégio da livre comunicação desapareceu em troca das diferentes formas oraculares estabelecidas e legadas por Orunla. Os odús são presságios, destinos, predestinação, e cada pessoa traz um odú de origem e cada Oricha é governado por um ou mais odús. Cada odún possui um nome e características próprias e dividem-se em “caminhos” denominados “ese” onde está atado a um sem-número de mitos conhecidos como itàn ifá.

Odus são os signos de Ifá ou de Ochá, o resultado do jogo. Segundo as lendas da Santeria africana, os Odus representam os destinos criados por Olorum, com todas as características da vida quotidiana e baseados no comportamento e temperamento humano. Então os Odus, seriam os signos do destino que regem cada Oricha, que por sua vez, regem cada homem sobre a terra.

Os oddus são os principais responsáveis pelos destinos dos homens e do mundo que os cerca. Os orichas não mudam o destino da vida, mas sim executam as suas funções dentro da natureza libertando energia para que todos possam dela se alimentar. O odú é o caminho, a existência do destino o qual o oricha e todos os seres estão inseridos.

Já escutamos diversas vezes as seguintes frases. "Com o destino não se brinca." e "a tua vida esta escrita" ou ainda "o teu destino já estava escrito, por isso nada mais podes fazer". Estas e muitas outras frases populares que se refere aos odús. Cada pessoa pode ir de encontro ou seguir um caminho diferente ao destino estabelecido, isso dizem que a mesma está com o Odu negativo (Osogbo), ou seja: o seu destino e a sua conduta fogem as regras universais, ou seja, seguiu um caminho negativo dentro do estabelecido. Ou então está no oddu positivo (Iré) pois segue na direção certa. Nós quando nascemos, somos regidos por um odú de ori (cabeça) que representa o nosso “eu” assim como odú de destino, espiritualidade, etc…

 

Desde já o meu obrigado

Okanbi / Omo Algallú 

 

búzio ou dillogun

 
1. OKANA SODDE

Refrão de este odún: Por um começo do mundo. se não há bons, não há maus (para que o mundo seja mundo, que exista o bom e o mau). 

búzio ou dillogun

2. EYIOCO

Refrão de este odún: Ofa abure - flechas entre irmãos. 

búzio ou dillogun

3. OGUNDÁ

Refrão de este odún: A tragédia sempre vem acompanhada; traição; discussão; revolução. Tragédia por uma coisa; tropeços com os mortos.

búzio ou dillogun

4. IROSO

Refrão de este odún: Nada sabe o que há no fundo do mar. 

búzio ou dillogun

5. OSHE

Refrão de este odún: O sangue corre pelas veias, você tem vida.

búzio ou dillogun

6. OGBARÁ

Refrão de este odún: “obi icoru” rei morto, príncipe coroado. Um rei não diz mentiras.

búzio ou dillogun

7. ODDY

Refrão de este odún: Onde se abre um buraco pela primeira vez. Os peixes grandes se colhem no mar com um pouco de sorte e bom cebo de animal.

búzio ou dillogun

8. EYEUNLE

Refrão de este odún: A honestidade, brilha por sua ausência. Tu és louco, ou te fazes de louco. 

búzio ou dillogun

9. OSÁ

Refrão de este odún: A cabeça leva o corpo. Use a sua.

búzio ou dillogun

10. OFFÚN MAFFÚN

Refrão de este odún: A agulha é a que leva o fio. 

búzio ou dillogun

11. OJUANY CHOBER

Refrão de este odún: Desconfiança; não tirar agua em cestos. Ser agradecido tem a sua recompensa.

búzio ou dillogun

12. EYILA CHEVORA

Refrão de este odún: O soldado não dorme quando há guerra.

búzio ou dillogun

13. METANLA

Refrão de este odún: No sangue está o parasita. 

búzio ou dillogun

14. MERINLA

Refrão de este odún: Detrás de um bom homem, sempre há uma boa mulher.

búzio ou dillogun

15. MARUNLA

Refrão de este odún: Quando chove, o sapo se mete debaixo das pedras para proteger-se. 

búzio ou dillogun

16. MERIDILOGÚN

Refrão de este odún: A venda que tens diante de teus olhos, não te deixam ver o teu nariz. 


 
 
 
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Escrito por Okanbi / Omo Aggayú
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Orichas - Ikú lobi ocha

Música dos Orichas

Tambores são tão ancestrais quanto o próprio homem. Os primeiros foram criados e manuseados ainda na Pré-História, com o objetivo de saudar os Deuses e como forma de agradecer a comida conseguida por meio da caça aos animais. Milénios se passaram e centenas de representações religiosas ou espirituais foram criadas de acordo com a cultura e a cosmo visão de cada povo, de cada etnia, principalmente de acordo com os padrões sócio – económicos de cada época. Imagens, cerimónias, mitologia, liturgias, símbolos, tambores, chocalhos e atabaques, são expressões da arte na religiosidade e na espiritualidade. 

 

O homem pré-histórico acreditava que a pele da sua caça esticada em troncos de árvores reproduzia o choro do animal morto. Em sua fase mais primitiva, a manifestação religiosa do homem tinha como base principal o contacto com as divindades – o transe. 

A música e a dança sempre foram os principais geradores dessa comunicação com os Deuses. Alguns historiadores e antropólogos do século vinte destacaram a ideia de que a maneira utilizada para se chegar aos conhecimentos místicos em religiões primitivas, esteve sempre associada ao êxtase (o transe) provocado pelo toque do tambor. Esse instrumento seria então o responsável pela comunicação entre o homem e as divindades – seres responsáveis pelo comando da Natureza em nosso planeta. 

Mesmo nas religiões mais antigas, o toque dos tambores também foi utilizado não somente para o culto às divindades, mas também como forma de manter contacto com os espíritos dos mortos. 

OS TAMBORES NA ÁFRICA 

Nas sociedades africanas, a tradição oral é o método pelo qual histórias e crenças religiosas são passadas de geração em geração, transmitindo elementos de uma cultura. Uma parte integrante da tradição oral africana é, sem dúvida, a dança e o canto, e o mais importante instrumento musical africano é o tambor, em diferentes tamanhos e formas e para diferentes fins. 

O tambor é utilizado para enviar e receber mensagens espirituais, e é essencial na preservação da tradição oral. Na religião africana de culto aos Orichas e Ancestrais, é considerado sagrado, e seu tocador é classificado como um comunicador oral. Aquele que toca o tambor é um orador e um comunicador de mensagens sagradas. No ritual religioso, os tambores são o início de tudo, sempre representaram papel muito importante na cultura africana. Existe um antigo provérbio que diz: ” Quando os tambores são tocados, eles não mentem “. 

O "Djembe" é possivelmente o mais influente e a base de todos os outros tambores africanos, e remota há pelo menos 500 anos d.C. é um tambor sagrado utilizado em cerimónias de cura, rituais de passagem, culto aos ancestrais e ainda em danças e socialmente. 

OS TAMBORES BATÁ 

A origem dos tambores Bata remonta há mais de 500 anos, e sua história sobreviveu juntamente com o povo Yorubá, que chegou à América como escravo, mostrando a profundidade dessa religião e cultura, das quais é parte importante. O tambor Bata faz parte da prática religiosa chamada de “Santeria”, desenvolvida em Cuba e nos EUA, com influência principal da religião tradicional Yorubá, mas também de outros grupos étnicos, como os de língua Bantu, da região do Congo. 

Os tambores Bata podem falar, e não no sentido metafórico, podem realmente ser usados para recitar preces religiosas, poesias, saudações e louvores. Em Cuba, são utilizados em todas as cerimónias relacionadas aos Orichas, e recebem o nome de ‘"Bata de Fundamento". A sua fabricação e consagração requerem toda uma força espiritual, que é inserida dentro de seu cilindro de madeira. Ao ser consagrado, recebe o nome de "Ayàn".