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Falsas seitas religiosas na Santeria

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Escrito por Okanbi / Omo Aggayú

falsas seitas religiosas

Ashé a todos. Os Terreiros ou Ilés pertencentes às Religiões Afro-brasileiras ou Afro-Cubanas, possuem uma relação de interligação entre si, na forma de adorar, respeitar os Orichas e o Divinal, independentemente de ser ciência, filosofia, arte ou religião. Esta harmonia existe, pois os seus dignos representantes compreendem a pluralidade de pensamentos, sentimentos e ações que geram afinidades que se aproximam por semelhança. Este facto fica bem claro quando o analisamos na ótica do conceito Universal da Diversidade Religiosa. Respeitamos todos os caminhos oferecidos pelas Ilés em Portugal e no mundo, pois todas levam ao ponto da convergência espiritual. Como todos sabemos existem muitas seitas que tentam deturpar este sistema para desestabilizá-lo, possivelmente para serem aceites como uma nova forma religiosa à sua maneira. Além de não apresentarem um caminho sólido para o crente consiga encontrar a espiritualidade, funcionam como agentes parasitas no aspeto coletivo e espiritual desta comunidade. 

santeria ou santaria cubana em portugal

Na prática não conseguem avançar pela força do Universo que sustenta as verdadeiras Ilés, e somente lhes resta levar a questão para o lado económico e financeiro. Não me surpreendo se a seita encarar os movimentos Afro-Cubanos como um grande mercado para a exploração política e económica das pessoas e dos seus crentes. Já agora imaginem meus irmãos de Ocha (Santo) a proliferação de tantos cursos expressos de mediunidade, magia, vidência, sacerdócio, teologia livre e outros temas pelo nosso país. Como todos sabemos as tradições de cada Ilé são tão diferentes pela existência territorial, e a nossa identidade é marcada pela pluralidade cultural e esta ficaria seriamente comprometida com o avanço destas táticas de marketing religioso promovidas pelas seitas novas.

Graças aos nossos Orichas somos uma quantidade realmente grande de Ilés e terreiros que valorizamos o Sacerdócio conquistado na iniciação, levando à frente aquilo que aprendemos com o nosso Pai e Padrinho de Ocha. Na minha Ilé de Ocha dirigida pelo meu Padrinho Obaodun, um discípulo torna-se um Oloricha, ao final de um ano. Devendo claramente depois de isso evoluir na aprendizagem para tornar-se no espaço mínimo de 3 a 7 anos de vivência um Oloricha sério capaz de acordo com as suas responsabilidades assumidas atingir as suas metas perante o Astral. Posturas como esta são muito comuns em inúmeros Ilés sérios pelo mundo fora.

O que temos observado é como alguns indivíduos, muitos recentemente chegados da Umbanda ou a grupos religiosos pouco definidos, procuram meios rápidos para alcançar o sacerdócio. Isto infelizmente é possível atualmente, pois existem cursos de formação de sacerdotes de duração relâmpago (literalmente em finais de semana), onde o único pré-requisito é pagar a mensalidade. O pior é que estes cursos são dados por pessoas que também foram formados em cursos, ou seja, não possuem vivência real na Ilé através da sagrada relação afilhado e Padrinho. Ainda tenho visto em alguns casos, cursos classificados como “sacerdote vocacional” onde os alunos nem mediunidade de incorporação precisam ter. 

Pior é que observamos essa tática, uma tentativa de transformar da Religião Afro-Cubana num simples processo económico-financeiro. O pior de tudo isto é querer através dessas formações rápidas na religião obter uma independência financeira. Aquilo que os nossos Orichas e Guias entregaram para o Oloricha trabalhar, pelo bem coletivo da humanidade, é transformado em interesse monetário para poucos. Dentro desta concorrência selvagem, todos perdemos.

Gostaria de deixar bem claro que não me refiro aos incansáveis trabalhadores que trabalham nos diversos Ilés do nosso país, trabalham no templo bem orientados pela formação dada pelos seus Padrinhos e mães espirituais. O que quero dizer é que precisamos de lutar com todas as nossas forças de forma a privilegiar a linhagem espiritual que possuímos, mas também denunciar as falsas lideranças dessas denominadas seitas religiosas.

 

Okanbi

Com a bênção de Meu Pai Aggayú e Yemanjá

 

Para qualquer outra questão sobre este texto, pode-nos escrever para o nosso correio eletrónico e darei mais explicações ou retirarei duvidas.


Comentários   

#2 Okanbi 24-07-2014 15:12
Olá Pedro. O que lhe aconteceu infelizmente enquadra-se no tema que aqui expomos. A exploração financeira é uma das causas de maior desonra para está religião. Os pai-de-santos pensam que assim ficaram ricos em pouco tempo e assim destroem está bela religião. Sai o mais rápido dessas pessoas que lhe disseram isso pois estão a tentarem enganar.Obrigad o pelo seu comentário.
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#1 Pedro Maximo 15-07-2014 13:54
Tive de pagar 1300€ para receber guerreiros, antes diziam que seria suficiente devido à minha namorada ser santeira. Agora dizem que tenho obrigatoriament e de fazer Santo e que tal custa 23mil, que tenho de ir a Cuba etc.
Isto enquadra-se no que voces referem aqui ou é normal?
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