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Saber quem é o nosso Oricha?

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Escrito por Okanbi / Omo Aggayú

nosso oricha

Muitas questões chegaram até mim a perguntar, como se consegue saber sobre os nossos anjos da guarda nesta “religião”. Muitas das questões colocadas prendem com que já ouviram ou viram, e muitas vezes acabaram por não saber na realidade como se determina o nosso anjo da guarda, e quais os métodos seguros para o fazerem. Vamos primeiro falar da história. Sabemos nós que quando os escravos vieram traficados de África para Cuba e a América Latina esta “religião”, vinha junto com os escravos e entre estes veio o conhecimento da Santeria. Sabemos nós que muitos deles vinham já coroados mas sem o conhecimento e a “documentação” para trabalhar religiosamente, mas com muita fé nos Orishas, e essa fé foi o que os fez andar para a frente e foi a base que se mantêm hoje em dia. Esta “religião”, que pelo menos diferencia das demais, é um “religião” muito cubana, no entanto de origem africana. Desde esses tempos não há documentação conhecida referente ao sistema de Osha ou de Ifa, sabemos que há livros e tratados para realizar quase todas as cerimonias na nossa “religião” mas isso veio principalmente por via oral dos antigos escravos de África. 

santeria ou santaria cubana em portugal

Desta forma não sabermos qual seria a maneira mais correta de o fazer, fica hoje ainda um mistério, mas sabemos com algumas garantias que se lançar-mos pelos búzios teremos a partida uma percentagem muito maior de sucesso, do que se for feito de outra forma. Isto não quer dizer que antes de sabermos isto tenham os antigos feitos mal, mas sim, por não terem a informação e nem tão pouco quem lhes tenha ensinado. 

Nos princípios era mediante os búzios que se sabiam qual era o anjo da guarda, e lançavam com os olhos fechados e confiavam no anjo da guarda que saísse na letra. Sabemos nós agora que não é a forma correta de fazer, mas uma grande comunidade religiosa acredita só ser possível saber o seu anjo da guarda através de Ifa. Não querendo questionar estas diferenças religiosas, desejo que o façamos de forma correta e bem, independente de como o descobrimos, sejam feitas com honestidade e de coração. Mas como diz o velho provérbio, “é possível que possamos encher de petróleo o velho carro do nosso amigo e que este funcione, mas também é da minha responsabilidade se o motor se estragar, me digam na minha cara, se eu não sabia que ele levava somente gasolina.”

Sabemos nós que os primeiros Obbases na historia da religião em cuba eram mulheres, e isto hoje não é possível. A inocência de Olofin as perdoa, é mesmo quando alguém faz Ocha e te proíbem algo como exemplo que comas veado, antes de sabe-lo não havia problemas, mas depois de proibido pelo teu anjo da guarda, se o comes te dará uma má indigestão para que pagues a ofensa.

PATAKI:

Na terra onde viviam todos os santos, Obatalá era o governador dos demais santos, que se revoltaram contra ele porque nessa terra somente era Obatalá é quem determinava o anjo da guarda com os búzios, e assim passavam o tempo. Um dia Shangó começou a notar que havia mais filhos de Obatalá que de outros santos e Shangó reuniu os demais santos e lhes contou o seu pensamento e lhes pediu o seu parecer, e estes lhe disseram a razão e todos se puseram de acordo para ir a casa de Obatalá e reclamar, porque em sua casa nunca saia um filho de outro santo que não fosse o dele. Obatalá que consultava os convidados com os seus búzios era ele Oba daquelas terras. 

Todos os santos acordaram em ir a casa de Obatalá mas entre eles existia o temor de Obatalá de os castigarem e ninguém queria falar pessoalmente. Shangó disse: “eu vou falar com baba”, e ato seguinte foram incumbidos de falar com Obatalá, Shangó, Oshún e Oggún. Quando todos chegaram a casa de Obatalá, este sentiu o alvoroço, Obatalá que estava no seu palácio saiu e lhes perguntou a todos que para que vinham, então Shangó se adiantou e lhe disse: “Olha baba, nós estamos aqui porque queremos saber porque quando você determina o anjo da guarda de um visitante, não saem como dono de nenhuma cabeça de nós.” Então Obatalá lhes disse: “O que passa é que nesta casa sou eu quem o determina assim.” Então Shangó disse: “Bom baba isso não é legal, por isso é melhor irmos a casa de Orunmila para que nos diga como resolvemos este problema.” Então Obatalá disse: “Esta bem podem ir, e depois voltamos a falar”. 

Eles foram ao pé de Orunmila e pediram o seu conselho, que lhes foi dito para que não houvesse problemas, ele a partir de agora é que faria a escolha do Anjo da Guarda da pessoa. Voltaram todos ao pé de Obatalá e lhe contaram o que Orunmila lhes disse. Então Obatalá lhes disse: “Vocês têm razão porque Orunmila não faz santo e vocês desconfiam de mim, mas eu também desconfio de vocês, por isso, mesmo que exista o mundo, somente os búzios determinaram o anjo da guarda de cada um, e não Orunmila, pois os búzios são imparciais.”

Desta forma e por esta razão não devemos determinar o anjo da guarda de ninguém com as letras do Santo, mas com os búzios de Eleguá, pois é ele quem fala por todos os outros Orichas. Pois também existe o egoísmo do quem regista, ou muitas vezes o santo sem que se registe se enamora da pessoa ou da sua cabeça do visitante e lhe altere o caminho. Deixo aqui este texto que nos vem alertar que na descoberta do nosso anjo da guarda somente se pode saber com certezas através do búzios e NUNCA por outro modo. Iban Echo.

 

Okanbi

Com a bênção de Meu Pai Aggayú e Yemanjá

Para qualquer outra questão sobre este texto, pode-nos escrever para o nosso correio eletrónico e darei mais explicações ou retirarei dúvidas.


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